Braskem: Negociadores buscam acordo com credores em Nova York

Destaques
- •Negociadores da Braskem e Petrobras se reúnem com credores em Nova York para tentar um acordo comercial e evitar a recuperação judicial nos EUA.
- •Um grupo de credores propôs um aporte de US$ 1,85 bilhão dos acionistas e a conversão de US$ 1,85 bilhão em dívida, enquanto a Petrobras teria aceitado investir US$ 1,2 bilhão.
- •O desfecho das negociações é crucial para a Braskem, que tem um prazo até 23 de novembro para apresentar um plano de recuperação extrajudicial no Brasil e enfrenta um pedido de recuperação judicial involuntária nos EUA.
Negociadores da IG4, acionista controlador da Braskem, e da Petrobras estão em Nova York para conversas com detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bondholders) da companhia. O objetivo é chegar a um acordo comercial e formalizar um plano de recuperação extrajudicial, com um novo prazo estabelecido para esta sexta-feira, dia 6. O plano final deve ser entregue à Justiça brasileira até 23 de novembro, necessitando da adesão de 50% dos credores mais um.
As discussões em Nova York devem abordar o valor e as condições do aporte da Petrobras na Braskem. Paralelamente, um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, iniciado por um grupo específico de bondholders, também será tema. No entanto, fontes próximas aos bondholders indicam que a questão do Chapter 11 involuntário é secundária diante da urgência do acordo comercial.
O pedido de recuperação judicial nos EUA
O pedido de Chapter 11 involuntário foi protocolado em 21 de outubro por fundos da Bracebridge Capital, que detêm US$ 272 milhões em títulos de dívida da Braskem America Finance Company (U.S. Finco) com vencimento em 2041. A Braskem tem cerca de 20 dias para se manifestar na Corte americana. A não contestação do pedido pode iniciar o processo de recuperação judicial nos EUA, segundo fontes.
Um prazo anterior para a definição do aporte e outros detalhes comerciais do acordo, que expirou em 30 de outubro, já havia sido estendido. O comitê que representa os credores externos apresentou, em 24 de outubro, uma proposta de negociação que inclui um aporte de capital dos acionistas de US$ 1,85 bilhão e a conversão de US$ 1,85 bilhão de dívida em participação acionária. Essa proposta visa uma desalavancagem imediata de, no mínimo, US$ 3,7 bilhões para a Braskem.
A posição da Petrobras
A Petrobras teria aceitado aportar US$ 1,2 bilhão no fechamento do acordo e mais US$ 500 milhões em 2029, condicionados ao nível de alavancagem da empresa, totalizando um investimento de R$ 1,7 bilhão em dinheiro novo. Fontes próximas à negociação indicam que a estatal tem pouca flexibilidade para alterar essas condições, e qualquer acerto ainda dependerá de aprovação interna.
A dívida total da Braskem soma aproximadamente US$ 11 bilhões, sendo que cerca de US$ 7 bilhões estão nas mãos dos bondholders. Especialistas em reestruturações internacionais veem o caso como um marco, por envolver um processo de recuperação extrajudicial no Brasil e um pedido de recuperação judicial involuntário nos EUA simultaneamente. Uma fonte avalia que a aceitação do Chapter 11 abriria um precedente sem precedentes.



