Brasileiros aceitam IA no atendimento, mas exigem transparência e histórico

Destaques
- •Pesquisa da Twilio revela que 7 em cada 10 brasileiros se sentem confortáveis com IA no atendimento ao cliente.
- •Apesar da aceitação, 71% dos consumidores precisam repetir informações e 41% enfrentam perda de histórico ao serem transferidos para atendentes humanos.
- •Empresas precisam focar em transparência, continuidade e resolução no primeiro contato para garantir a confiança do consumidor na IA.
Sete em cada dez brasileiros se sentem confortáveis interagindo com agentes de inteligência artificial (IA) no atendimento ao cliente, mas condicionam essa aceitação à transparência e à continuidade das informações. Os dados são do relatório Tendências de Engajamento com o Cliente no Brasil, divulgado pela Twilio em 2026.
A pesquisa expõe o que chama de “paradoxo da IA”: ao mesmo tempo que os consumidores buscam agilidade e autonomia, 71% dizem precisar repetir informações durante o suporte e 41% relatam que, ao serem transferidos para um atendente humano, o agente não recebe nenhum histórico da conversa anterior com o bot ou agente de IA.
O levantamento também mapeia os canais preferidos dos brasileiros para se comunicar com marcas. Sessenta e um por cento optam por aplicativos de mensagens como o WhatsApp, índice acima da média latino-americana de 51%. Aplicativos próprios das empresas vêm em seguida, com 46% de preferência.
Atrito ainda é alto apesar da abertura
Apesar da abertura declarada, a satisfação efetiva com a IA no atendimento ainda é limitada. Apenas 49% dos entrevistados dizem que a tecnologia resolve todas as suas questões na maioria das vezes. Além disso, 72% tentam, sempre ou às vezes, contornar o agente de IA para chegar a um atendente humano, e 71% já abandonaram um bot no meio de uma interação por falta de informações básicas.
Outros 37% consideram frustrante quando a IA responde rapidamente, mas não reconhece a conta ou o contexto do cliente. Em contrapartida, 79% dos respondentes notaram melhorias na tecnologia no último ano, e 67% aceitam que agentes de IA de empresas diferentes conversem entre si para acelerar resoluções.
Transparência como condição para a confiança
O relatório divide a confiança dos consumidores em três pilares. No campo da notificação imediata, 92% querem ser informados de forma explícita se estão interagindo com uma IA ou com um humano; 80% exigem esse aviso já na primeira mensagem; e 91% esperam que o agente de IA diga a verdade caso seja questionado sobre sua natureza.
No pilar de controle, 71% confiam mais na tecnologia quando a empresa explica seu funcionamento em termos simples, 62% se sentem mais confortáveis sabendo quais dados são acessados e 63% valorizam quando determinadas ações exigem aprovação humana antes de ser executadas.
Quanto à responsabilidade, 86% atribuem à marca, e não ao fornecedor da tecnologia, a responsabilidade por erros graves cometidos pela IA. Outros 65% relatam maior conforto quando há opção de transferência para um atendente humano.
Infraestrutura e os líderes de CX
Para os líderes de experiência do cliente (CX), o relatório aponta que reduzir custos não é suficiente como métrica de sucesso. A continuidade das interações, a resolução no primeiro contato e a preservação do histórico de conversas precisam ser monitoradas. Isso exige infraestrutura capaz de conectar canais, dados de sistemas de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) e plataformas de dados de clientes (CDP), agentes humanos, autenticação e memória persistente em tempo real.
José Eduardo Ferreira, vice-presidente para a América Latina da Twilio, afirma que “as vantagens competitivas não virão de automatizar mais rápido, virão de integrar melhor. A oportunidade para as empresas é usar a IA para ganhar eficiência sem perder a humanidade, velocidade sem perder o contexto e escala sem comprometer a confiança.”
Ele conclui que “na era da IA, a melhor experiência de atendimento ao cliente não será a mais automatizada. Será a mais confiável, contínua e contextual. Em suma, com muito mais contexto humano”.



