Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Brasilagro prioriza quitar dívidas em vez de recomprar ações

04 de novembro de 2026

Destaques

  • •Companhia foca em reduzir endividamento, que oferece retorno superior à recompra de ações ou novas aquisições.
  • •Dívida líquida ajustada caiu 51% no primeiro trimestre fiscal de 2027, chegando a R$ 136,3 milhões.
  • •Brasilagro monitora oportunidades de aquisição de terras, mas aguarda retornos compatíveis com o custo de capital.

A Brasilagro não planeja lançar um programa de recompra de ações no curto prazo, mesmo com os papéis sendo negociados com desconto na bolsa. A prioridade da companhia é a redução do endividamento, estratégia considerada pelo CEO, André Guillaumon, como a que oferece o maior retorno em comparação com a aquisição de novas propriedades rurais ou a recompra das próprias ações.

Durante conversa com jornalistas para apresentar os resultados financeiros, Guillaumon explicou que a empresa avalia três possibilidades de alocação de capital: comprar terras, recomprar ações ou amortizar dívidas. Segundo ele, a redução do endividamento apresenta a melhor taxa interna de retorno (TIR) atualmente, estimada entre 9% a 10% descontada a inflação, enquanto novos projetos de aquisição de terras oferecem TIRs entre 6% e 7%.

Endividamento em foco

A estratégia de priorizar a redução da dívida é justificada pelo CEO pela perspectiva de juros de longo prazo e pelo custo de capital. Guillaumon afirmou que, ao comparar a TIR de cada negócio, a amortização de dívidas se mostra a opção mais vantajosa no momento.

A companhia encerrou o primeiro trimestre fiscal de 2027 com a dívida líquida ajustada em R$ 136,3 milhões, o que representa uma redução de 51% em relação aos R$ 280,5 milhões registrados em junho. A relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos 12 meses também apresentou melhora significativa, caindo de 2,82 vezes para 1,05 vez.

Volatilidade das ações e oportunidades

O CEO reconheceu que as ações da Brasilagro foram afetadas pela volatilidade do mercado, especialmente após as eleições presidenciais, mas destacou que a queda foi menor em comparação a outros setores. Enquanto papéis de construtoras e empresas industriais recuaram entre 40% e 45%, as ações da Brasilagro caíram entre 16% e 17% e já iniciaram um processo de recuperação.

Guillaumon avalia que uma queda mais acentuada nos preços das ações poderia tornar a recompra mais atrativa. No entanto, com o patamar atual dos papéis e o retorno esperado com a redução da dívida, a empresa não vê justificativa para iniciar um programa de recompra no curto prazo. "Estamos monitorando, mas não temos isso no radar para recomprar no curto prazo", disse.

Perspectivas para o agronegócio

Apesar de focar na redução da dívida, a Brasilagro continua atenta a oportunidades de aquisição de propriedades rurais. Guillaumon mencionou que a empresa observa sinais de estresse financeiro no setor, o que pode gerar negócios envolvendo ativos agrícolas. Contudo, a estratégia depende da capacidade de encontrar propriedades com retorno compatível com o custo de capital, especialmente diante da alta dos juros de longo prazo.

A recuperação das ações da Brasilagro, segundo o CEO, dependerá da trajetória dos juros e das expectativas de resultado operacional. Ele pondera que, apesar do ambiente de juros elevados, o agronegócio pode apresentar perspectivas relativamente melhores, impulsionado pela recuperação das cotações internacionais da soja e pela desvalorização cambial. A empresa, porém, manterá o foco na disciplina financeira, priorizando o endividamento antes de considerar a recompra de ações.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Brasilagro prioriza quitar dívidas em vez de recomprar ações | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias