Vida & SaúdeRelevância BR: 9/10

Brasil terá 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano até 2028

22 de outubro de 2026
Brasil terá 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano até 2028

Destaques

  • •Estimativa do Inca prevê mais de 7.500 novos casos anuais de câncer em crianças e adolescentes entre 2026 e 2028.
  • •A detecção precoce e o tratamento em centros especializados aumentam as chances de cura para até 80% dos pacientes.
  • •O acompanhamento contínuo e o apoio familiar são cruciais para o sucesso do tratamento e a qualidade de vida dos sobreviventes.

O Brasil deve registrar uma média de 7.560 novos casos de câncer em crianças e adolescentes por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A doença já é a principal causa de morte por enfermidade na faixa etária de 1 a 19 anos no país.

Apesar do cenário, o Inca ressalta que 80% dos pacientes podem ser curados quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento ocorre em centros especializados. A oncologista pediátrica Mariana Bohns Michalowski, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), destaca que os sintomas do câncer infantojuvenil podem ser inespecíficos e facilmente confundidos com problemas comuns da infância.

Sinais de alerta e a importância da detecção rápida

Sinais como cansaço e palidez persistentes, manchas roxas sem motivo aparente, dores que não melhoram, aumento de gânglios, perda de peso, inchaços, alterações neurológicas, vômitos persistentes e dores de cabeça frequentes devem motivar uma avaliação médica. A especialista enfatiza que a presença desses sintomas não confirma o câncer, mas a persistência deles exige investigação.

Embora o câncer infantojuvenil não possa ser prevenido por mudanças de hábitos ou rastreamento populacional, o reconhecimento precoce dos sinais, aliado a uma avaliação clínica adequada e encaminhamento ágil para serviços especializados, é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Tumores mais comuns e particularidades do tratamento

Os cânceres infantojuvenis possuem características biológicas distintas dos tumores em adultos. Na primeira infância (0 a 4 anos), as leucemias, especialmente a linfoide aguda (LLA), e tumores embrionários como neuroblastoma e retinoblastoma são mais comuns. Já em crianças maiores e adolescentes (5 a 19 anos), linfomas, sarcomas ósseos e de partes moles, e tumores do sistema nervoso central ganham destaque.

O tratamento, embora utilize modalidades como quimioterapia, cirurgia e radioterapia, requer abordagens próprias para a faixa etária. A alta sensibilidade desses tumores à quimioterapia, devido ao seu rápido crescimento e origem em células imaturas, contribui para as elevadas taxas de cura. No entanto, o uso criterioso da radioterapia e esquemas quimioterápicos específicos são necessários para mitigar riscos de sequelas no desenvolvimento físico, cognitivo e reprodutivo.

Atendimento multidisciplinar e apoio familiar

O sucesso terapêutico depende de um atendimento multidisciplinar e especializado, envolvendo oncologistas pediátricos, cirurgiões, intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Além disso, o seguimento tardio é crucial, estendendo-se por décadas para monitorar a saúde dos sobreviventes.

O diagnóstico desestrutura a família, exigindo equilíbrio entre o suporte ao paciente e a saúde mental dos cuidadores. A comunicação aberta e adaptada à idade, a preservação da rotina e identidade da criança, e o cuidado com o cuidador — por meio de delegação de tarefas, revezamento no acompanhamento, busca por apoio psicológico e momentos de descanso — são essenciais para o bem-estar de todos.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Brasil terá 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano até 2028 | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias