Brasil perde status de credor externo após 19 anos

Destaques
- •Dívida externa brasileira ultrapassa reservas internacionais pela primeira vez em 19 anos.
- •A dívida externa líquida do país atingiu US$ 5,1 bilhões em junho, revertendo o status de credor.
- •Agências de risco mantêm perspectiva estável, mas alertam para riscos fiscais.
O Brasil perdeu o posto de credor internacional, posição que mantinha há 19 anos. Dados do Banco Central (BC) revelam que a dívida externa total do país, que alcançou US$ 407,1 bilhões, superou as reservas internacionais, de US$ 402 bilhões. Essa inversão fez com que a dívida externa líquida voltasse ao terreno positivo, registrando US$ 5,1 bilhões em junho.
Embora economistas e agências de classificação de risco não vejam um motivo imediato para preocupação, o cenário exige atenção. O déficit em transações correntes, que mais que dobrou em 2024 para US$ 67,4 bilhões, e a desaceleração do investimento estrangeiro direto são fatores que podem gerar vulnerabilidade.
A perda do status de credor líquido, argumento técnico e retórico importante para investidores, reduz a margem de manobra do país para absorver choques externos. O Tesouro Nacional, no entanto, planeja aumentar a participação da dívida em moeda estrangeira para 7% e diversificar captações em dólar, euro e yuan.

