Brasil cobra Argentina por passagem de Flávio Bolsonaro em voo para os EUA

Destaques
- •Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina no Brasil para pedir explicações sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA.
- •A viagem ocorreu após o senador ter sido obrigado pela Justiça a entregar seus passaportes.
- •Governo argentino nega o pedido de explicações e contesta a versão brasileira.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil convocou a encarregada de negócios da Argentina no país, Emilia Cortés, para cobrar explicações sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino antes de sua viagem aos Estados Unidos. A informação foi confirmada por fontes do governo brasileiro à BBC News Brasil. A convocação, que ocorreu na quinta-feira (30/10), é uma demonstração de reprovação a condutas adotadas pelo país do diplomata convocado.
Viagem e Decisão Judicial
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em 27/10, dois dias após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva. A viagem ocorreu em descumprimento a uma decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que o obrigou a entregar seus passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
Apesar de ter afirmado em redes sociais que não tinha planos de deixar o país, Flávio, sua esposa e duas filhas embarcaram em um jato privado de um aeroporto em Puerto Iguazú, na Argentina, e desembarcaram em Miami. Os quatro tiveram a entrada autorizada nos Estados Unidos.
Versões Divergentes
Fontes ouvidas pela BBC News Brasil relataram que Cortés foi recebida pelo diretor do departamento de Mercosul do MRE, o diplomata João Marcelo Galvão de Queiroz. A reunião foi curta, e o diplomata brasileiro solicitou informações sobre o papel do governo argentino na viagem de Flávio aos EUA.
Um diplomata brasileiro, em caráter reservado, considerou que a possível participação do governo argentino na viagem seria mais um episódio de deterioração das relações entre os dois países. A mídia argentina, como o jornal Clarín, divulgou que Santiago Caputo, próximo ao presidente argentino Javier Milei, teria participado do plano para tirar Flávio do Brasil.
Negação Argentina
Em contrapartida, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, contestou a informação sobre o pedido de explicações. Em postagem no X (antigo Twitter), Quirno rebateu reportagem do jornal La Nacion, afirmando: "Falso. Não houve nenhum pedido de explicações".
Em carta publicada após sua chegada a Miami, Flávio Bolsonaro agradeceu a Javier Milei pela "coragem, senso de justiça e legalidade", e ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao povo americano por acolhê-lo em uma "terra de liberdades".



