Brasil busca aumentar produção de alimentos com recuperação de pastagens degradadas
Destaques
- •Brasil aposta na recuperação de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030 para aumentar a produção de alimentos.
- •Linha de crédito RenovAgro, Embrapa e Banco Mundial são pilares da estratégia para tornar solos mais produtivos.
- •Ações visam garantir alimentos em quantidade, qualidade e a preços justos, combatendo a fome global.
A fome, apesar de ser uma realidade para milhões de pessoas globalmente, é evitável. Essa mensagem central foi debatida no Fórum Mundial da Alimentação (FMA), promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Roma, entre 8 e 16 de outubro. Apesar dos avanços tecnológicos, 645 milhões de pessoas enfrentaram fome em 2025, com a África sendo a região mais afetada. A FAO estima que cerca de 520 milhões ainda podem passar fome em 2030.
Neste cenário, o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, apresentou suas estratégias para inovar na agricultura e pecuária, especialmente diante das mudanças climáticas e tensões geopolíticas. Representando o produtor rural brasileiro, a pauta principal foi como aumentar a produção sem a necessidade de novas áreas de cultivo. O foco recai sobre a recuperação de áreas degradadas, que no Brasil somam cerca de 60% dos 177 milhões de hectares de pastagens.
Recuperação de Pastagens Degradadas como Motor de Produção
A estratégia brasileira para combater a insegurança alimentar e aumentar a produção de alimentos se concentra na recuperação de pastagens degradadas. A meta é transformar esses solos, que hoje representam um passivo produtivo, em áreas férteis para agricultura e sistemas agroflorestais. A recuperação de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas está prevista até 2030.
O principal instrumento para viabilizar essa transformação é o RenovAgro, uma linha de crédito com taxas de juros reduzidas. Iniciativas conjuntas entre a Embrapa e o Banco Mundial também apoiam a reconversão produtiva dessas áreas, com o objetivo de aumentar a produtividade agrícola e pecuária.
Ações Complementares para o Agronegócio Brasileiro
Além da recuperação de áreas degradadas, o Brasil está implementando outras ações para impulsionar a produção de alimentos. Entre elas, destacam-se a intensificação da pecuária de corte, a adoção da agricultura de precisão e regenerativa, o uso de fazendas inteligentes e a expansão dos sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP) e Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF).
Essas iniciativas buscam otimizar o uso dos recursos e aumentar a eficiência no campo. No entanto, o setor ainda enfrenta desafios significativos, como questões tributárias, gargalos logísticos e a volatilidade gerada por conflitos internacionais, que impactam diretamente os custos de produção e o preço final dos alimentos.
Infraestrutura Agroalimentar como Prioridade
O texto ressalta que, para garantir que o Brasil cumpra seu papel no abastecimento alimentar global e nacional, é fundamental investir em infraestrutura agroalimentar. Isso inclui melhorias em logística, armazenagem, criação de estoques reguladores, oferta de insumos, um tratamento tributário diferenciado, expansão da irrigação e garantia de energia elétrica acessível.
Somente com um investimento robusto em infraestrutura será possível não apenas viabilizar o volume de alimentos necessário, mas também assegurar que cheguem às pessoas em quantidade, com qualidade e a preços justos, combatendo efetivamente a fome.



