Brasil atinge recorde de reinjeção de gás natural em setembro

Destaques
- •A reinjeção de gás natural no Brasil atingiu um recorde em setembro de 2026, com 132,9 milhões de m³ por dia, representando 59,34% da produção.
- •O aumento da reinjeção está ligado à necessidade de manter a pressão em reservatórios de petróleo, à falta de infraestrutura de escoamento e à menor atratividade comercial de gás com alto teor de CO2.
- •O governo busca reduzir a reinjeção para ampliar a oferta de gás ao mercado interno, com potencial impacto na redução de custos energéticos para a indústria.
O Brasil registrou um volume recorde de reinjeção de gás natural em setembro de 2026, devolvendo 132,9 milhões de m³ por dia aos reservatórios subterrâneos. Este volume corresponde a 59,34% da produção total do período, que foi de 223,9 milhões de m³, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). É a primeira vez que a indústria brasileira reinjeta mais de 59% da produção mensal de gás, superando marcas anteriores registradas em março, maio e junho de 2024.
Por que o gás é reinjetado?
A reinjeção de gás natural é um processo crucial para a indústria de petróleo, sendo utilizada principalmente para aumentar a produção de óleo. Existem três razões principais para essa prática no Brasil:
- Manter a pressão: O gás reinjetado é comprimido e devolvido ao reservatório para elevar a pressão interna, o que facilita a extração de petróleo.
- Falta de infraestrutura: O setor ainda enfrenta gargalos significativos no acesso à malha de gasodutos, o que limita o escoamento do gás natural até os centros consumidores.
- Rentabilidade: Uma parcela considerável do gás extraído do pré-sal possui alto teor de CO₂, o que o torna menos atrativo comercialmente em comparação com o gás importado, por exemplo, da Bolívia.
Cerca de 85% do gás natural extraído no Brasil é do tipo associado, ou seja, produzido juntamente com o óleo. Isso força as empresas a escolherem entre comercializar o insumo ou reinjetá-lo, uma vez que sua retirada é necessária para viabilizar a produção de petróleo.
Mudanças regulatórias e infraestrutura
A prática de reinjeção de gás tem crescido desde 2015, especialmente em campos offshore nas bacias de Campos e de Santos. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto 12.153, que confere à ANP autoridade para determinar a redução da reinjeção de gás natural em campos produtores. Esta medida se aplica a novos projetos e permite à agência revisar planos de desenvolvimento de campos já em operação.
A estratégia do governo inclui a ampliação do acesso da iniciativa privada à infraestrutura de escoamento e processamento de gás, atualmente concentrada na Petrobras. Em agosto, a ANP colocou em consulta pública uma minuta de resolução que visa permitir o acesso não discriminatório de terceiros a gasodutos e unidades de processamento.
Impacto no mercado e próximos passos
A ampliação da oferta de gás ao mercado interno é vista pelo governo como um instrumento para reduzir os custos energéticos da indústria. Caso parte do volume reinjetado seja direcionada ao consumo, espera-se maior concorrência no mercado e um potencial impacto positivo sobre os preços do gás natural.
No entanto, a malha de transporte e as unidades de processamento ainda operam com limitações para absorver todo o gás produzido no pré-sal. A Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) considera que a expansão da infraestrutura é essencial para reduzir de forma estrutural os níveis de reinjeção. Diante dos gargalos de transporte, o gás importado da Bolívia tornou-se uma alternativa para parte do abastecimento nacional. Em dezembro de 2025, a ANP autorizou a Petrobras a importar até 20 milhões de m³ por dia para atender ao mercado brasileiro.
Matérias originais
- Reinjeção de gás natural bate recorde em setembro · poder360.com.br



