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Brasil: 34 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais, aponta IBGE

22 de outubro de 2026

Destaques

  • •População com 60 anos ou mais no Brasil atingiu 34,1 milhões, um aumento de 53,3% entre 2012 e 2024.
  • •Pesquisa revela que 69% das empresas não oferecem oportunidades iguais para diferentes faixas etárias e 77% não promovem diversidade geracional em processos seletivos.
  • •Especialistas alertam para vieses e preconceitos contra profissionais mais velhos no mercado de trabalho, defendendo avaliação individual e oportunidades de desenvolvimento.

O Brasil registrou um crescimento de 53,3% na população com 60 anos ou mais entre 2012 e 2024, alcançando 34,1 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse envelhecimento populacional reflete-se no mercado de trabalho, com a participação de profissionais acima de 50 anos subindo de 19,1% para 24,3% do total de ocupados.

Apesar do aumento da longevidade, um levantamento da Robert Half e Labora com cerca de 400 empresas indicou que 69% dos respondentes não garantem oportunidades iguais para faixas etárias distintas. Além disso, 77% das companhias não implementam ações intencionais em seus processos seletivos para promover a diversidade geracional.

Vieses e estereótipos no ambiente corporativo

A neurocientista Carla Tieppo, do Conselho Consultivo do Grupo MAG, ressalta que a idade cronológica não deve ser um fator determinante para a capacidade profissional. Ela explica que o cérebro se modifica ao longo da vida, mas essas alterações não significam necessariamente uma perda de capacidade. Habilidades como repertório, conhecimento acumulado e a capacidade de reconhecer padrões, influenciadas pela experiência, podem compensar ou até superar eventuais declínios em outras funções cognitivas.

A consultora Regiane Herchcovitch, da Soul HR Consulting, aponta que barreiras contra profissionais mais velhos frequentemente se manifestam em comentários disfarçados de análise técnica, como "ele é muito sênior" ou "talvez não tenha energia para estar na operação", sem base em dados concretos. Ela defende que a experiência robusta deveria abrir portas para discussões sobre como aproveitar esse repertório, em vez de gerar conclusões precipitadas.

“Há profissionais 50+ com muita energia, disponibilidade e vontade de construir algo novo, assim como há pessoas mais jovens com outras prioridades. O mais importante é avaliar cada pessoa pelo que sabe fazer e pelo interesse que demonstra na vaga”, afirma Herchcovitch.

Oportunidades de desenvolvimento e transição de carreira

Outro estereótipo comum é a presunção de que profissionais mais velhos resistem a novas tecnologias. O Instituto de Longevidade MAG aponta que a familiaridade técnica depende de exposição e oportunidades de aprendizagem, e que empresas que restringem capacitações a grupos mais jovens acabam perpetuando essa desigualdade. Herchcovitch reforça que o domínio de inovações não é exclusivo de uma geração e que a equidade nos treinamentos é fundamental.

A discriminação por idade também ocorre quando empresas deixam de investir no desenvolvimento de colaboradores maduros, presumindo que já atingiram o ápice de suas carreiras ou estão prestes a se aposentar. Esse ciclo de desatualização pode ser quebrado com iniciativas de mentoria, mobilidade interna e inclusão em novos projetos, conforme recomendado pelo MAG. A especialista enfatiza a importância de conversar com esses profissionais sobre seus objetivos e interesses para os próximos anos.

O aumento da expectativa de vida também prolonga a carreira profissional, abrindo espaço para transições, empreendedorismo ou retorno aos estudos. O especialista em longevidade do Instituto de Longevidade MAG, Antonio Leitão, destaca a importância do planejamento financeiro aliado à carreira, permitindo que o profissional 50+ se prepare para possíveis mudanças sem que elas sejam determinadas apenas pela necessidade.

Diversidade geracional como estratégia

A negligência da diversidade etária nas estratégias de diversidade é o quinto erro apontado. A convivência entre gerações já é uma realidade, mas o desafio é transformá-la em uma troca efetiva de conhecimento, sem preconceitos. O Instituto de Longevidade MAG sugere práticas como mentoria cruzada e processos de recrutamento sem barreiras etárias.

Herchcovitch propõe a formação de equipes multidisciplinares focadas em metas reais, onde pessoas de diferentes gerações, áreas e habilidades trabalhem juntas em desafios do negócio, promovendo uma colaboração mais orgânica e produtiva.

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