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Bradesco BBI eleva juros reais de longo prazo e ajusta preços-alvo de elétricas

26 de outubro de 2026
Bradesco BBI eleva juros reais de longo prazo e ajusta preços-alvo de elétricas

Destaques

  • •Bradesco BBI revisou para cima a projeção de juros reais de longo prazo de 6,5% para 8% após resultado eleitoral.
  • •A mudança impacta a avaliação de empresas de energia elétrica e saneamento, com ajustes nos preços-alvo e taxas de desconto.
  • •Analistas mantiveram recomendações, destacando Eneva, Axia, Sabesp e Copel como favorecidas em cenário de maior risco.

O Bradesco BBI elevou sua premissa para a taxa de juros real de longo prazo de 6,5% para 8%, após o resultado das eleições presidenciais. A mudança impacta os modelos de avaliação de empresas, aumentando as taxas de desconto utilizadas e gerando um efeito de 100 pontos-base para transmissoras de energia e até 300 pontos-base para companhias mais alavancadas ou com desafios operacionais.

Apesar dos ajustes, os analistas da casa mantiveram as recomendações para as empresas de energia elétrica e saneamento sob cobertura. Em um cenário de maior percepção de risco, o banco destacou Eneva e Axia Energia, por possuírem fluxos de caixa de menor duração. Sabesp e Copel também foram citadas por fatores próprios de crescimento e menor dependência das condições macroeconômicas.

Ajustes nos preços-alvo e recomendações

As revisões nos preços-alvo para o fim de 2027 trouxeram variações para as empresas. A Axia teve seu preço-alvo reduzido de R$ 79 para R$ 78, mas ainda apresenta potencial de valorização de 34,5%. Para a Copasa, a estimativa foi mantida em R$ 78, com potencial de alta de 20,8%. O preço-alvo da Eneva subiu de R$ 32 para R$ 37, com potencial de valorização de 17,5%.

A Copel teve seu preço-alvo mantido em R$ 19, com potencial de alta de 9,6%. Para a Sabesp, a estimativa caiu de R$ 40 para R$ 35, com potencial de valorização de 9,4%. O preço-alvo da Equatorial foi reduzido de R$ 57 para R$ 51, com potencial de alta de 4,3%.

Entre as empresas com recomendação neutra, a Cemig teve o preço-alvo mantido em R$ 13, com potencial de valorização de 11,4%. Para a Isa Energia, a estimativa caiu de R$ 34 para R$ 29, com potencial de alta de 2,4%. A Auren teve o preço-alvo reduzido de R$ 17 para R$ 15, com potencial de valorização de 1,6%. Já a Alupar teve a estimativa cortada de R$ 40 para R$ 37, implicando potencial de queda de 4,3%. Para a CPFL Energia, o preço-alvo recuou de R$ 51 para R$ 45, com potencial de desvalorização de 9,6%. A Taesa, com recomendação de desempenho abaixo da média do mercado (underperform), teve o preço-alvo reduzido de R$ 39 para R$ 35, com potencial de queda de 21,8%.

Impacto da alta dos juros reais e premissas operacionais

O banco avaliou que uma alta dos juros reais de longo prazo para cerca de 8%, nível anterior à euforia pré-eleitoral, tornaria os prêmios de risco implícitos nas ações estreitos de forma generalizada. A Eneva e a Axia, com durações de caixa de 6,8 e 5,6 anos, respectivamente, são vistas como favorecidas em um ambiente de juros reais mais elevados.

Na Sabesp, o crescimento do fluxo de caixa é apoiado pela estrutura regulatória de São Paulo, que incorpora investimentos às tarifas, reduzindo a dependência de fatores macroeconômicos. A Copel conta com uma concessão de distribuição de alta qualidade e oportunidades de crescimento em leilões de reserva de capacidade e futuras licitações.

Para as distribuidoras de energia, o BBI revisou premissas operacionais, considerando maiores volumes de vendas no 4T26 e 1T27, devido à expectativa de temperaturas mais elevadas pelo El Niño. Ajustes regulatórios para 2028 também foram feitos, elevando de 15% para 20% o potencial de desempenho superior ao parâmetro regulatório em despesas operacionais para empresas eficientes.

Nas geradoras, o banco reduziu as estimativas de preços de energia no curto prazo, diante de condições hidrológicas favoráveis. A projeção para o preço médio no 4T26 caiu de R$ 160 para R$ 118/MWh, e para 2027, de R$ 227 para R$ 182/MWh. Contudo, a estimativa de longo prazo foi mantida em R$ 225/MWh.

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