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Bradesco BBI alerta: recuperação da Bolsa após eleições pode levar meses ou anos

30 de outubro de 2026
Bradesco BBI alerta: recuperação da Bolsa após eleições pode levar meses ou anos

Destaques

  • •Estrategistas do Bradesco BBI recomendam cautela após forte queda da Bolsa brasileira, citando histórico de recuperações lentas.
  • •A queda de 18,7% do MSCI Brazil em dólar após as eleições foi a maior baixa diária da história moderna do mercado brasileiro.
  • •O banco mantém recomendação neutra para o Brasil e sugere portfólio defensivo, com foco em exportadoras e companhias dolarizadas.

A Bolsa brasileira pode não ter encerrado sua trajetória de quedas após o segundo turno das eleições, segundo avaliação do Bradesco BBI. Os estrategistas do banco recomendam cautela aos investidores, apesar do forte desconto das ações brasileiras, pois a experiência histórica mostra que recuperações após choques dessa magnitude costumam levar meses, e em alguns casos anos, para se consolidarem.

Em relatório, os estrategistas destacam que a queda de 18,7% do MSCI Brazil em dólar registrada após as eleições foi a maior baixa diária da história moderna do mercado brasileiro. O tombo superou episódios como a crise financeira de 2008, o choque da pandemia de Covid-19 e a crise política de 2017 envolvendo o ex-presidente Michel Temer. Além da intensidade da queda, o banco chama atenção para a forte rotação observada dentro do mercado, com investidores migrando de empresas sensíveis aos juros para exportadoras, companhias dolarizadas e ativos defensivos.

Recuperações históricas são lentas

O estudo do Bradesco BBI analisou 18 quedas de um único dia superiores a 10% no mercado brasileiro desde o início da década de 1990. Em média, foram necessários cerca de três meses para que os índices recuperassem as perdas iniciais. Quando o foco se amplia para mercados emergentes, o histórico é ainda menos animador.

O banco analisou 15 episódios de eleições que provocaram fortes reações negativas dos investidores em países emergentes nas últimas duas décadas. O tombo brasileiro aparece como o segundo pior da amostra, atrás apenas da queda de 40% registrada pela Argentina após as eleições primárias de 2019. Segundo o levantamento, os mercados desses países ainda estavam, em média, 11% abaixo dos níveis anteriores três meses após o choque e permaneciam negativos mesmo depois de seis meses. Em muitos casos, a recuperação relevante ocorreu apenas cerca de dois anos depois.

Valuation barato e fluxo de estrangeiros

Apesar da turbulência, os estrategistas identificam poucos sinais de fuga significativa do capital estrangeiro. Com base no comportamento dos ETFs internacionais ligados ao mercado brasileiro, o banco afirma que os fluxos continuam relativamente resilientes. Isso ocorre porque o Brasil voltou a negociar com múltiplos considerados muito baratos, a menos de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, tornando-se o segundo mercado mais barato do mundo, atrás apenas da Coreia do Sul.

No entanto, o Bradesco BBI alerta que valuation barato não é suficiente para sustentar uma recuperação consistente. "Historicamente, comprar Brasil a 7 ou 8 vezes lucro não garantiu retornos acima da média", destacam os analistas.

Juros altos e revisões de lucro

O principal desafio agora será a adaptação das projeções de lucro ao novo ambiente de juros. Segundo o estudo, a reprecificação recente da curva de juros ainda não foi totalmente incorporada às estimativas do mercado. O Bradesco BBI calcula que 74 das 106 empresas sob cobertura podem sofrer revisões negativas de lucro caso a nova trajetória da Selic seja mantida.

Entre as companhias mais vulneráveis aparecem Anima (ANIM3), MBRF (MBRF3), JSL (JSLG3), Yduqs (YDUQ3) e Ecorodovias (ECOR3), cujos lucros poderiam cair mais de 20% para cada aumento de 100 pontos-base nas taxas de juros. Por outro lado, empresas como Auren (AURE3), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) tendem a se beneficiar de juros mais elevados.

Diante desse cenário, o Bradesco BBI mantém recomendação neutra para o Brasil e continua privilegiando um portfólio defensivo. As principais apostas incluem exportadoras e companhias dolarizadas como Embraer (EMBJ3), JBS (JBSS3), Suzano (SUZB3) e WEG (WEGE3), além de empresas que podem se beneficiar de juros elevados, como Itaú Unibanco (ITUB4) e BB Seguridade (BBSE3). O banco também destaca oportunidades em utilities, especialmente Eneva (ENEV3).

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