Bangladesh define cronograma para novo salário mínimo no setor têxtil

Destaques
- •Governo de Bangladesh e representantes de fábricas e trabalhadores definiram 1º de dezembro como data para implementação do novo salário mínimo.
- •A decisão visa encerrar os protestos que paralisaram centenas de fábricas têxteis, importantes fornecedoras de marcas globais.
- •O valor do novo salário ainda será definido em reunião futura, enquanto trabalhadores pedem aumento de 140%.
O governo de Bangladesh concordou com um cronograma para a implementação de um novo salário mínimo para quatro milhões de trabalhadores do setor têxtil, um passo crucial para resolver os protestos que paralisaram centenas de fábricas que fornecem para marcas de moda globais. A decisão busca acalmar a agitação que ameaça uma fonte vital de divisas para o país.
Proprietários de fábricas e representantes dos trabalhadores chegaram a um acordo na quarta-feira para que o novo salário mínimo entre em vigor em 1º de dezembro, com os novos valores refletidos no pagamento de janeiro. No entanto, o valor exato do novo salário mínimo ainda não foi definido. O Conselho do Salário Mínimo se reunirá novamente em cerca de uma semana para deliberar sobre a quantia, conforme anunciado pelo presidente Syed Azad Subhani.
Demanda por aumento salarial e protestos
Os trabalhadores do setor têxtil reivindicam um aumento de 140% no salário mínimo mensal, buscando elevar o valor de 12.500 taka para 30.000 taka (aproximadamente US$ 242). A justificativa para a demanda é o aumento do custo de vida, e o atual acordo salarial de três anos expira no próximo mês.
Os protestos continuaram pelo quinto dia consecutivo em importantes polos industriais, como Savar e Gazipur. Relatos da mídia local indicam que a polícia utilizou granadas de efeito moral para dispersar as multidões. Tanto o presidente do Conselho do Salário Mínimo quanto representantes dos proprietários de fábricas pediram aos manifestantes que retornem ao trabalho.
Intervenção governamental e importância do setor
O governo de Bangladesh atribuiu parte da agitação a apoiadores do partido deposto Bangladesh Awami League. No entanto, o executivo tem buscado atender às reivindicações dos trabalhadores, ciente da importância do setor têxtil para a economia nacional.
A indústria de vestuário de Bangladesh é um dos maiores empregadores do país, com mais de quatro milhões de pessoas, e é responsável por mais de 80% das receitas de exportação. O país é o segundo maior exportador de vestuário do mundo, atrás apenas da China, fornecendo produtos para grandes varejistas internacionais como H&M Group, Gap Inc., Walmart Inc. e Target Corp.
Reação das indústrias e próximos passos
Em resposta ao pedido do governo, os líderes das duas principais associações da indústria de vestuário concordaram em manter as fábricas abertas na quarta-feira e monitorar a situação. Na terça-feira, pelo menos 70 fábricas foram fechadas, e trabalhadores de diversas outras unidades interromperam a produção, com funcionários de cerca de 670 fábricas aderindo aos protestos.
A próxima reunião do Conselho do Salário Mínimo, onde o valor do novo salário mínimo será discutido, ocorrerá em aproximadamente uma semana. A expectativa é que a definição do valor e a implementação do novo piso salarial encerrem definitivamente os protestos e normalizem a produção nas fábricas.



