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Bancos brasileiros iniciam temporada de balanços com foco em inadimplência e eleições

21 de outubro de 2026
Bancos brasileiros iniciam temporada de balanços com foco em inadimplência e eleições

Destaques

  • •Grandes bancos brasileiros divulgam resultados do 3º trimestre a partir desta semana, com atenção redobrada à inadimplência e ao impacto das eleições.
  • •Ações de bancos como BTG Pactual, Bradesco e Banco do Brasil tiveram forte alta após o primeiro turno eleitoral, impulsionadas pela percepção de maior probabilidade de mudança na política fiscal.
  • •Investidores acompanharão a qualidade dos ativos, provisões e a comunicação das instituições financeiras sobre os resultados e perspectivas futuras.

A temporada de resultados do terceiro trimestre dos grandes bancos brasileiros começa nesta semana, com investidores focados na qualidade dos ativos, diante do elevado endividamento das famílias e da alta inadimplência. A possibilidade de adoção de medidas macroprudenciais pelo Banco Central (BC) também está no radar. A equipe do UBS BB, liderada pelo analista Thiago Batista, destacou a importância de acompanhar a mensagem das instituições financeiras nas conferências sobre os resultados, a maioria das quais ocorrerá após o segundo turno da eleição presidencial.

As ações dos maiores bancos brasileiros registraram forte valorização após o primeiro turno das eleições, que indicou a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa percepção alimentou a expectativa de uma mudança na política fiscal. No dia 5 de outubro, a unit do BTG Pactual disparou 22,52%, as ações preferenciais do Bradesco subiram 13,57%, o Banco do Brasil avançou 11%, os papéis preferenciais do Itaú Unibanco ganharam 10,37% e a unit do Santander Brasil teve alta de 2,63%. No mesmo dia, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em alta de 7,7%.

Inadimplência e medidas macroprudenciais em foco

No fim de setembro, dados do Banco Central revelaram que a inadimplência no segmento de recursos livres atingiu 6,6% em agosto, o maior nível desde o início da série histórica em março de 2011. Em julho, o indicador estava em 6,4%. O BC tem sinalizado que estuda medidas para conter o endividamento da população, o que leva o mercado a considerar a possibilidade de ações macroprudenciais. Estas podem incluir aumento das exigências de capital e dos compulsórios, elevação dos pesos de risco, mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a adoção de um Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP).

Banco do Brasil: preocupações com provisões e crédito rural

O Banco do Brasil é o que mais preocupa os analistas. A equipe do BTG Pactual, liderada por Eduardo Rosman, mantém uma visão cautelosa devido à fraqueza operacional do banco. A maior concentração de vencimentos de empréstimos do agronegócio e a falta de melhora na pontualidade dos pagamentos podem levar as provisões do banco a crescer entre 8% e 10% na comparação trimestral. Rosman não descarta uma queda de 50% a 60% no lucro antes dos impostos (EBT) do Banco do Brasil em relação ao trimestre anterior, para cerca de R$ 2 bilhões, com lucro líquido próximo de R$ 1,9 bilhão. O BB divulgará seus números em 11 de novembro. As projeções da LSEG apontam lucro de R$ 3,7 bilhões.

Analistas do JPMorgan, liderados por Yuri Fernandes, rebaixaram a recomendação para as ações do BB a “underweight”, ressaltando que a recuperação do banco pode levar alguns anos. Para Gustavo Schroden e Arnon Shirazi, do Citi, os desafios relacionados à qualidade dos ativos no crédito rural provavelmente persistirão até 2027.

Bradesco, Nubank e Santander sob pressão

O Bradesco abre o calendário de divulgação dos bancos do Ibovespa na quinta-feira. Analistas do Safra esperam um resultado com viés “levemente negativo”, com provisões mais elevadas compensando a recuperação da margem financeira. A equipe do Citi prevê um resultado misto, com receitas de tarifas compensando parcialmente as pressões na qualidade dos ativos. As estimativas da LSEG indicam lucro líquido de R$ 7,1 bilhões para o Bradesco.

O Nubank deve continuar com forte expansão de receitas, mas com aumento das provisões em relação ao trimestre anterior, pois o benefício do programa Desenrola deverá ser menor. As estimativas da LSEG apontam lucro de US$ 1,09 bilhão. O Nubank divulga seu balanço em 12 de novembro.

Para o Santander Brasil, a equipe do Safra espera um trimestre fraco, com deterioração persistente da qualidade dos ativos, especialmente nos segmentos de cartões de crédito para clientes de menor renda, pequenas e médias empresas (PMEs) e agronegócio. As previsões da LSEG apontam lucro de R$ 3,2 bilhões. O Santander Brasil divulga seu desempenho em 28 de outubro.

Itaú e BTG com resultados sólidos esperados

Em meio a um cenário desafiador, o Itaú Unibanco deve apresentar resultados sustentados pela resiliência da qualidade dos ativos e controle de custos. O Citi espera um trimestre sólido para o Itaú, com poucas surpresas. As projeções da LSEG apontam lucro de R$ 12,6 bilhões. O Itaú divulga seus números em 3 de novembro.

Para o BTG Pactual, a expectativa também é positiva. Analistas do Citi esperam mais um trimestre sólido, com crescimento moderado dos lucros. A área de crédito deve continuar sendo o destaque. As projeções da LSEG apontam lucro de R$ 5,2 bilhões para o BTG, que divulga seus números no dia 10 de novembro.

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