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Banco do Brasil reduz desembolsos para agronegócio em 44,1% na safra 2026/27

22 de outubro de 2026
Banco do Brasil reduz desembolsos para agronegócio em 44,1% na safra 2026/27

Destaques

  • •Banco do Brasil desembolsou R$ 31,6 bilhões em crédito para agronegócio na safra 2026/27, queda de 44,1% ante o período anterior.
  • •A retração é atribuída ao aumento da inadimplência e maior percepção de risco no setor, afetando principalmente a agricultura empresarial e o Pronamp.
  • •A Fitch Ratings projeta desaceleração da economia brasileira em 2027, com PIB de 1,4%, devido a juros elevados e aperto fiscal.

O Banco do Brasil desembolsou R$ 31,633 bilhões em financiamentos para o agronegócio no acumulado da safra 2026/27, de 1º de julho a 19 de outubro. O valor representa uma queda de 44,1% em comparação com os R$ 56,543 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior, segundo informações divulgadas pelo próprio banco. A retração abrange operações de crédito rural e financiamentos à cadeia de valor.

Apesar da queda geral, o crédito rural para a agricultura familiar, dentro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), registrou um leve aumento de 1,7%, totalizando R$ 8,444 bilhões. No entanto, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) apresentou uma redução expressiva de 44,2%, com R$ 4,406 bilhões liberados.

Queda na agricultura empresarial e Pronamp

O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, explicou que a queda no desembolso para a agricultura empresarial e o Pronamp se deve, em grande parte, ao aumento da inadimplência no setor. Essa situação eleva a percepção de risco, levando bancos a serem mais restritivos na concessão de crédito, especialmente para grandes produtores.

Bittencourt ressaltou que o banco antecipou parte dos financiamentos para o Pronamp na safra passada, o que distorce a comparação direta. Se considerada essa antecipação, o desempenho para médios produtores seria superior ao ciclo anterior. A inadimplência também impactou os financiamentos via títulos do agronegócio, que caíram de R$ 6,7 bilhões para cerca de R$ 3,7 bilhões.

Cautela com investimentos e projeções econômicas

A redução nos financiamentos de investimento, exceto para o Pronaf, reflete a maior cautela de produtores diante da menor liquidez e do momento atual do setor. Bittencourt aconselhou produtores endividados a focarem em ajustar as contas em vez de investir. Uma parcela de produtores capitalizados, contudo, mantém planos de expansão.

O Banco do Brasil prevê desembolsar R$ 210 bilhões para o agronegócio na safra 2026/27, um aumento de 0,5% em relação à temporada anterior. Desse total, R$ 170 bilhões são destinados à agricultura empresarial e R$ 40 bilhões à agricultura familiar e médios produtores.

Paralelamente, a agência de classificação de risco Fitch Ratings avalia que a economia brasileira deve perder força em 2027, com projeção de crescimento do PIB de 1,4%. A agência aponta que, independentemente do vencedor da eleição presidencial, haverá pouco espaço para estímulos fiscais devido ao déficit público superior a 8% do PIB e à relação dívida/PIB acima de 80%. A Fitch também prevê que a taxa Selic permanecerá em patamar restritivo, com projeção de 13,50% ao final de 2026 e 11,75% em 2027, impactando o crédito e o consumo.

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