Banco do Brasil lidera alta de volatilidade em opções antes do 2º turno

Destaques
- •Mercado precifica maior incerteza eleitoral com volatilidade implícita elevada em opções
- •Banco do Brasil (BBAS3) registra volatilidade de até 69%, bem acima de Petrobras e Ibovespa
- •Investidores pagam prêmio adicional por posições expostas ao resultado do segundo turno
O mercado de opções está precificando um prêmio adicional de risco às vésperas do segundo turno das eleições, com o Banco do Brasil (BBAS3) apresentando volatilidade implícita significativamente maior do que a Petrobras (PETR4) e o índice BOVA11. A volatilidade implícita (IV) para opções que atravessam a votação está em torno de 67% a 69% para BBAS3, enquanto para PETR4 varia de 46% a 48% e para BOVA11, de 44% a 46%.
Essa dinâmica reflete a cobrança de um prêmio maior por quem deseja manter posições durante o evento eleitoral, um movimento já observado antes do primeiro turno. Na ocasião, a volatilidade implícita também estava elevada, mas recuou rapidamente após a votação em um fenômeno conhecido como vol crush. Agora, com a aproximação do segundo turno, a incerteza volta a encarecer os contratos.
O que a volatilidade implícita indica?
A volatilidade implícita é uma métrica extraída dos preços das próprias opções e indica o quanto de movimento futuro o mercado espera para um ativo. Quanto maior a IV, mais caras tendem a ficar as opções, pois investidores pagam mais para se proteger ou para lucrar com oscilações maiores. No entanto, um aumento na IV não define a direção do movimento do ativo, nem a magnitude esperada.
"Quando ela sobe, as opções tendem a ficar mais caras, porque os investidores passam a pagar mais para se proteger ou para buscar ganhos com oscilações maiores", explica Matheus Medeiros, analista da Nomos. Ele ressalta que uma IV de 69% não significa 69% de chance de queda, mas sim uma expectativa de maior oscilação e incerteza em torno do resultado eleitoral.
Por que o prêmio aumenta antes de eventos?
O vencimento dos contratos de opções é um fator chave para entender o aumento do prêmio. Opções que continuam existindo após a votação carregam uma volatilidade maior do que aquelas que expiram antes. Isso ocorre porque quem mantém uma opção durante o fim de semana eleitoral fica exposto a movimentos do ativo quando o mercado reabrir, sem a possibilidade de ajustar a posição enquanto a Bolsa está fechada.
"As opções que atravessam o segundo turno apresentam volatilidade implícita mais elevada do que as que vencem antes da votação. Em outras palavras, o mercado está cobrando um prêmio adicional de quem quer manter posições durante o evento eleitoral", afirma Medeiros.
Banco do Brasil se destaca na precificação do risco
O Banco do Brasil (BBAS3) tem demonstrado uma sensibilidade maior às expectativas de políticas públicas e risco político, o que justifica sua volatilidade implícita mais elevada. Antes do primeiro turno, a IV de suas opções estava em torno de 66%, caindo para 40%-42% após a votação e retornando agora para a faixa de 67%-69%.
Embora o Banco do Brasil possua fatores próprios que influenciam sua percepção de risco, como desempenho de crédito e provisões, a reprecificação relacionada à reta final eleitoral aparece de forma mais forte no banco. A Petrobras (PETR4), apesar de também apresentar volatilidade elevada, beneficia-se da alta do petróleo devido à guerra no Oriente Médio e permanece abaixo dos níveis de BBAS3. O BOVA11, por representar uma cesta mais ampla de ações, dilui riscos específicos.
O analista conclui que, embora as opções não prevejam a direção exata dos ativos após as urnas, elas indicam o quanto o mercado está cobrando para carregar a incerteza. Atualmente, esse preço está mais elevado para o Banco do Brasil entre os três ativos analisados.
Matérias originais
- Opções de BBAS3, PETR4 e BOVA11 voltam a precificar risco antes do 2º turno · infomoney.com.br



