Ator Pablo Sanábio lança campanha sobre glioma, tipo de tumor cerebral

Destaques
- •Ator Pablo Sanábio compartilha sua jornada após diagnóstico de glioma, um tipo de tumor cerebral.
- •Campanha "Isso é um glioma", do laboratório Servier, busca conscientizar sobre a doença e seus desafios.
- •Estudo aponta longos prazos para diagnóstico e sobrecarga emocional em pacientes com glioma.
O ator mineiro Pablo Sanábio, aos 44 anos, compartilhou sua experiência com o glioma, um tipo de tumor cerebral, para conscientizar sobre a doença. Os primeiros sintomas, como visão turva e lapsos de memória, surgiram em 2024, culminando em uma convulsão que o levou ao diagnóstico. Após cirurgia, quimioterapia e radioterapia, Sanábio entrou em remissão em maio de 2025 e agora é embaixador da campanha "Isso é um glioma", lançada pelo laboratório francês Servier.
O glioma é o principal tipo de tumor primário do cérebro e o tumor sólido mais comum em crianças e adolescentes, com uma prevalência estimada de 4,5 casos a cada 100.000 habitantes. A neuro-oncologista Caroline Chaul, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a doença é classificada por grau de agressividade e pela presença de mutação no gene IDH. Tumores com essa mutação podem ter uma sobrevida de décadas com tratamentos específicos, incluindo novas terapias-alvo orais introduzidas pela Servier a partir de 2024.
Sintomas e diagnóstico tardio
Os sintomas do glioma, como alterações visuais, perda de memória, convulsões, dores de cabeça intensas, dificuldades na fala ou coordenação motora, dependem da localização da lesão no cérebro. Por serem inespecíficos, muitas vezes o diagnóstico é tardio. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Oncoguia, com 23 pacientes brasileiros, revelou que 20% levaram mais de um ano para serem diagnosticados, e 45% entre três meses e um ano. Em geral, a doença foi descoberta após uma convulsão e após consulta com três médicos diferentes.
As principais barreiras para a detecção incluem o desconhecimento de profissionais de saúde e a dificuldade de acesso a exames, especialmente na rede pública. Um dado preocupante é que 40% dos pacientes não sabiam se o glioma era um câncer após a consulta inicial. Além disso, 43% não realizaram ou não sabiam se realizaram o teste para mutação no gene IDH, essencial para direcionar a terapia.
Impacto na qualidade de vida e apoio
A jornada do diagnóstico ao tratamento é marcada por angústia e incerteza. A pesquisa do Instituto Oncoguia apontou que 70% dos pacientes relatam ansiedade sobre o futuro e medo de progressão da doença. A família é o principal suporte, mas houve aumento nos gastos domésticos devido ao tratamento, gerando o que chamam de "toxicidade financeira" e demanda por apoio psicológico. A comunicação insuficiente sobre o tema e a carência de um diálogo sobre o futuro com os pacientes foram destacados.
A campanha "Isso é um glioma", encabeçada pela Servier, busca conscientizar médicos e o público em geral sobre a doença, com o lema "O primeiro passo é enxergar. O segundo é se informar". O movimento utiliza depoimentos de pacientes e especialistas, além de um ensaio fotográfico com o fotógrafo Gustavo Gaiote, que também superou um glioma. O objetivo é oferecer recursos médicos, energia e bom humor, inspirados na resiliência de Pablo Sanábio, para que mais brasileiros vençam esse desafio.
O que diz a pesquisa
Uma revisão sistemática publicada na revista Quality of Life Research em 2022 analisou 22 estudos sobre a qualidade de vida relacionada à saúde (HRQoL) em adultos com glioma de baixo grau (LGG). Os resultados indicam que pacientes com LGG enfrentam comprometimentos na HRQoL devido ao tumor, tratamento e efeitos colaterais, sendo pior do que em controles não cancerosos, mas melhor do que em pacientes com glioma de alto grau (HGG). A qualidade de vida permaneceu baixa ao longo do tempo, com o funcionamento cognitivo e a fadiga sendo os aspectos mais afetados.
Outro estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria em 2014, avaliou a qualidade de vida e sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com meningioma e glioma de alto grau submetidos à neurocirurgia. A pesquisa encontrou diferenças significativas na qualidade de vida pré e pós-operatória, especialmente em aspectos como capacidade funcional, aspecto emocional e saúde mental. Comparados a grupos controle, ambos os grupos tumorais apresentaram diferenças significativas em vários aspectos da qualidade de vida, indicando que a cirurgia oncológica gerou alterações de humor e na qualidade de vida.
Pesquisa citada
- Health-related quality of life in adults with low-grade gliomas: a systematic review
Quality of Life Research · 2022
- Qualidade de vida e sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com tumores cerebrais primários
Jornal Brasileiro de Psiquiatria · 2014


