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Arquiteto britânico propõe redesenhar estruturas sociais para enfrentar crises

30 de outubro de 2026
Arquiteto britânico propõe redesenhar estruturas sociais para enfrentar crises

Destaques

  • •Indy Johar defende a criação de novas arquiteturas de capital e gestão de bens comuns para lidar com colapso climático e crise de empregos.
  • •O arquiteto critica a lógica paliativa da filantropia tradicional e a concentração de riqueza, propondo um novo contrato social baseado em missão compartilhada.
  • •Johar estará no Brasil para o evento Filantropando, onde discutirá a necessidade de repensar o desenvolvimento humano e a relação com o trabalho e a tecnologia.

O arquiteto britânico Indy Johar, cofundador do laboratório de design estratégico Dark Matter Labs, propõe um redesenho das estruturas sociais para enfrentar crises como o colapso climático e a crise de empregos. Com a proposta de desenvolver novas formas de gestão de bens comuns planetários, Johar defende uma reformulação da relação com a terra, o trabalho, a tecnologia e o dinheiro, incentivando um pensamento inovador diante de conceitos considerados ultrapassados.

Johar esteve em São Paulo para participar da 5ª edição do Filantropando, evento organizado pelo Instituto Beja e parceiros como o Instituto Toriba. O encontro, focado em novas arquiteturas do capital, buscou promover um diálogo para romper com a lógica paliativa das doações tradicionais na filantropia brasileira, diante da constatação de que as crises socioambientais e assimetrias históricas continuam a se aprofundar apesar da circulação de recursos.

A necessidade de reinventar estruturas políticas e econômicas

Segundo Johar, a política não se resume a partidos, mas a estruturas que precisam ser reinventadas por falharem em centralizar respostas. Ele sugere a ideia de um parlamento fora do tradicional, onde riscos como os relacionados à Amazônia se tornem constitucionais, abrindo espaço para debate. O arquiteto compara a abordagem de Elon Musk na criação de sistemas em série, que abordam tudo a partir de "primeiros princípios", como um modelo a ser seguido para desenvolver uma imaginação à altura da escala dos problemas globais. Ele alerta que, sem isso, a tarefa de moldar o futuro pode ficar nas mãos de poucos.

A pandemia de Covid-19, segundo Johar, trouxe uma noção de finitude, mas a economia estabelecida, com seus ativos em imóveis comerciais, exerceu uma força para retornar ao modelo antigo, preservando a riqueza. Ele argumenta que a verdadeira arquitetura do futuro não está em prédios físicos e que a natureza do trabalho está mudando, com uma única pessoa capaz de realizar o trabalho de 100. A crise do desenvolvimento humano, para ele, é fundamentalmente a crise do sistema educacional industrial dos últimos 200 anos, levando a dificuldades de emprego mesmo para formados em universidades de excelência.

O papel do medo e da polarização na sociedade

Johar afirma que o sistema tradicional utiliza a economia para instrumentalizar as pessoas, forçando-as ao trabalho e tornando-as mais vulneráveis. Essa precarização, somada ao envelhecimento da população, potencializa o medo, que se transforma em busca por certeza e pode levar a governos autoritários. Ele descreve a construção de uma "psicogeografia do medo" como um mecanismo para manter a população instrumentalizável.

Sobre a polarização, Johar sugere que, ao focar nela, permitimos que ela se torne o centro do debate e crie sua própria realidade. Ele propõe questionar a essência dessa separação, que, em sua visão, diz respeito a diferentes vulnerabilidades e visões de futuro. O caso do Brexit é citado como uma "crise de sentido" mais do que econômica ou de desigualdade, onde o "sentido" de ser britânico se tornou mais importante que a economia, levando a um "autodano" econômico.

A busca por sentido e o futuro da juventude

A "crise de sentido" pode estar por trás do avanço da religião na política, como exemplificado pelo discurso de Peter Thiel sobre "engenharia da fé". Johar diferencia fé e sentido da distribuição de bens materiais, argumentando que a fé e o sentido geram a intenção de construir o futuro, enquanto a mercadoria apenas distribui o presente. Ele lamenta que a sociedade tenha perdido esse território.

Para a juventude, a perspectiva é de que não haverá empregos ao final de suas trajetórias, com os futuros possíveis morrendo diante de seus olhos. Johar considera a postura política dos jovens racional diante dessa realidade e apela por empatia para reconhecer a "morte de um futuro" como algo real. Ele também aborda o papel da filantropia, preocupando-se tanto com a tirania do Estado quanto com a concentração de capital. Propõe um novo tipo de aliança, não de benevolência, mas de "missão compartilhada" e "entrelaçamento de interesses mútuos", onde o capital compreenda que sua própria sobrevivência depende dessa interligação e humildade.

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