Argentina vende participação na estatal de saneamento AySA por US$ 340 milhões

Destaques
- •Consórcio com empresas argentinas e brasileiras arremata 90% da AySA em negócio de US$ 340 milhões.
- •Privatização é vitória para agenda de Milei, mas segue revés em licitação ferroviária.
- •Contrato será assinado no próximo mês, com futuro incerto para a política econômica libertária.
A Argentina anunciou nesta quinta-feira (23) a venda de 90% de sua participação na Agua y Saneamientos Argentinas (AySA), empresa responsável pelo abastecimento de água e saneamento da capital e região metropolitana de Buenos Aires. O negócio, avaliado em US$ 340 milhões, foi arrematado por um consórcio formado por empresas argentinas e brasileiras. O contrato deve ser assinado no próximo mês, representando um avanço significativo para a agenda de privatizações do presidente Javier Milei.
A privatização da AySA possui um forte valor simbólico para Milei, que busca desmantelar políticas econômicas intervencionistas consolidadas ao longo de anos pela dinastia política Kirchner. O ex-presidente Néstor Kirchner cancelou a concessão do serviço de água à iniciativa privada em 2006, criando a AySA como estatal para assumir a operação. Essa medida marcou o início de um período de desconfiança dos investidores nas garantias jurídicas da Argentina, culminando em uma arbitragem internacional relacionada à empresa, concluída em 2019.
Vitória em meio a revés
A venda da AySA é vista como uma vitória para o governo Milei, especialmente após um revés recente em uma licitação ferroviária. Um dia antes do anúncio da privatização da empresa de saneamento, o Grupo México SAB, controlado pelo bilionário mexicano Germán Larrea, desistiu da disputa pela concessão de uma rede estatal de ferrovias de carga. O grupo manifestou preocupação com o modelo operacional proposto pelo governo, evidenciando os resultados mistos da agenda de privatizações de Milei até o momento.
As privatizações foram um dos pilares do programa econômico de Milei desde que assumiu o poder, há quase três anos. No entanto, o processo tem enfrentado obstáculos consideráveis. Em 2024, parlamentares rejeitaram a autorização para a venda de diversas empresas estatais importantes, como a petrolífera YPF SA, a companhia aérea nacional e o banco estatal. Apesar disso, Milei conseguiu concluir algumas operações, como a venda da empresa de engenharia Impsa e a desmobilização da estatal de energia Enarsa, que vendeu sua participação na operadora de linhas de transmissão de energia Transener por US$ 356 milhões em junho.
Obstáculos e alternativas
O plano inicial para a AySA previa uma oferta pública inicial de ações (IPO), com a venda de parte dos papéis na bolsa. Contudo, essa proposta não avançou. Ofertas de ações têm sido raras durante o governo Milei, com investidores da geradora de energia YPF Luz também optando por uma venda privada em vez de um IPO no início deste mês.
A decisão de vender a AySA ocorre em um momento em que o presidente Milei busca consolidar sua base de apoio e demonstrar resultados de sua política econômica. Ele pretende disputar um segundo mandato no próximo ano, em meio a questionamentos sobre os efeitos de sua experiência de livre mercado. A Argentina também considera recorrer à China para financiar uma dívida de US$ 5 bilhões com vencimento em 2027, indicando a busca por alternativas financeiras em um cenário desafiador.
Matérias originais
- Argentina privatiza empresa de saneamento em vitória para Milei · investnews.com.br



