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ANR processa Keeta por modelo de 'compra intermediada' no delivery

21 de outubro de 2026
ANR processa Keeta por modelo de 'compra intermediada' no delivery

Destaques

  • •Associação Nacional de Restaurantes aciona judicialmente a Keeta, plataforma de delivery da Meituan, por modelo de 'compra intermediada'.
  • •A prática, que inclui restaurantes sem autorização e usa entregadores para comprar no balcão, é contestada por limitar liberdade comercial e gerar concorrência desleal.
  • •Keeta afirma que a iniciativa é experimental, visa ampliar opções e opera em conformidade com leis locais, enquanto aguarda notificação judicial.

A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) entrou com uma ação civil pública na Justiça de São Paulo contra a Keeta, plataforma de delivery da chinesa Meituan, para contestar o modelo de “compra intermediada” adotado pela empresa no Brasil. A entidade pede a suspensão imediata dessa prática nos estabelecimentos que não autorizaram sua inclusão no aplicativo e a proibição do modelo em todo o país.

O modelo de “compra intermediada” consiste na inclusão de restaurantes no aplicativo da Keeta sem autorização prévia. Quando um cliente faz um pedido, um entregador ou comprador vai ao estabelecimento, adquire os produtos no balcão e os entrega ao consumidor. Segundo Erik Momo, presidente do conselho da ANR, os gestores dos restaurantes muitas vezes desconhecem que uma venda presencial está sendo realizada para a Keeta.

Modelo de operação contestado

De acordo com a ANR, a prática pode restringir a liberdade comercial dos restaurantes, criar concorrência desleal e prejudicar o relacionamento dos estabelecimentos com seus clientes. Momo destacou que a recorrência é vital para a sobrevivência de um restaurante e que a perda de controle sobre o que é vendido, o preço e a qualidade da entrega, ao delegar essas funções a um intermediário, representa um risco existencial para o negócio.

A associação busca não apenas a suspensão da prática, mas também um diálogo mais aberto da Keeta com o setor. A ANR citou como exemplos de parcerias bem-sucedidas seus acordos com o iFood e a 99, que operam sob modelos distintos.

Posicionamento da Keeta

Procurada pela Reuters, a Keeta, que iniciou suas operações no Brasil em 2025, informou que ainda não recebeu qualquer notificação judicial referente à ação. Sobre o modelo de “compra intermediada”, a empresa declarou que a ferramenta foi desenvolvida em caráter experimental com o objetivo de expandir as opções de restaurantes disponíveis aos consumidores no aplicativo.

A Keeta explicou que a iniciativa surgiu em um mercado onde contratos de exclusividade dificultam a entrada de estabelecimentos em outras plataformas de delivery. A empresa assegurou que a “compra intermediada” é uma iniciativa desenvolvida especificamente para o Brasil e que opera em conformidade com todas as leis e regulamentações locais aplicáveis.

Contexto do mercado de delivery

A Keeta e a 99, controlada pela DiDi Global, intensificaram suas operações no mercado brasileiro de delivery a partir de 2025, disputando espaço com o iFood, líder do setor. Em setembro, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu aprofundar as investigações sobre a concorrência neste mercado, indicando um cenário de atenção regulatória para as plataformas.

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