Agropecuária brasileira mantém emissões de GEE estáveis em 2025

Destaques
- •Emissões totais da agropecuária ficaram em 626,3 milhões de toneladas em 2025, com leve queda de 0,07% em relação a 2024.
- •Queda na pecuária, impulsionada por abate recorde e diminuição do rebanho, foi compensada pelo aumento de 6,45% na agricultura.
- •Adoção de tecnologias e práticas de manejo é apontada como chave para conciliar aumento de produção com redução de emissões.
As emissões de gases de efeito estufa (GEE) da agropecuária brasileira em 2025 totalizaram 626,3 milhões de toneladas, um volume praticamente estável em relação a 2024, quando foram registradas 626,7 milhões de toneladas. A variação de 0,07% representa a menor oscilação anual desde 1970, segundo levantamento do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). O resultado é fruto de movimentos opostos nos dois principais segmentos do setor: a pecuária registrou queda de 1,68% em suas emissões, enquanto a agricultura apresentou crescimento de 6,45%.
Pecuária reduz emissões com abate recorde
A pecuária foi responsável por 494,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) em 2025. A principal causa da redução foi a diminuição da fermentação entérica, processo digestivo dos ruminantes que libera metano. Essa fonte emitiu 396,8 milhões de toneladas em 2025, uma queda de 1,8% em relação ao ano anterior.
O abate de bovinos atingiu o recorde de 42,94 milhões de cabeças em 2025, um aumento de 8,2% em relação a 2024. Esse movimento contribuiu para a redução do rebanho nacional em 1,7%, encerrando o período com 234,2 milhões de animais.
Na pecuária leiteira, apesar da queda de 2,7% no rebanho de vacas ordenhadas, a produção nacional de leite cresceu 2,7%, alcançando 36,7 bilhões de litros. Esse aumento de produtividade por animal resultou em uma redução de 2,9% nas emissões atribuídas a este segmento.
Agricultura impulsiona emissões com expansão da produção
Por outro lado, a agricultura registrou um aumento de 6,45% em suas emissões, totalizando 132,1 milhões de toneladas de CO₂e. Esse crescimento acompanha a expansão da produção de grãos e da área cultivada no país.
A colheita brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas alcançou 345,4 milhões de toneladas em 2025, um avanço de 18,2% em relação a 2024. A área cultivada aumentou em 4,1 milhões de hectares, chegando a 101,3 milhões de hectares.
As emissões associadas ao manejo dos solos, que incluem a aplicação de fertilizantes nitrogenados e o uso de calcário, cresceram 3%, atingindo 188,6 milhões de toneladas. O uso de fertilizantes nitrogenados foi responsável por 33 milhões de toneladas e o de calcário por 29,2 milhões de toneladas.
Produtividade e manejo como estratégias futuras
Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora, destaca que parte da redução das emissões da pecuária foi compensada pelo aumento da agricultura. Ele ressalta que o setor agropecuário tem potencial para ampliar a produção e, ao mesmo tempo, reduzir o volume de gases emitidos.
“O setor agropecuário tem margem para continuar ampliando a produção com redução de emissões. Esse avanço pode ser alavancado pela expansão de tecnologias e boas práticas de manejo, para a produção animal e agrícola, contribuindo para a maior produtividade do setor”, afirma Quintana.
Para os próximos ciclos produtivos, a evolução dos indicadores de emissão dependerá do tamanho do rebanho, do ritmo de abate, da expansão das áreas cultivadas e das práticas adotadas no manejo dos animais e dos solos.



