Agronegócio defende política de Estado para destravar investimentos em logística

Destaques
- •Entidades do agronegócio pedem política de Estado para garantir continuidade e previsibilidade em crédito rural, seguro agrícola e infraestrutura.
- •Falta de infraestrutura logística e de armazenagem no Brasil gera custos elevados de frete e compromete competitividade internacional, com perdas estimadas em US$ 14 bilhões em 2025.
- •Setor público e iniciativa privada devem atuar em conjunto para planejar, regular e investir em infraestrutura, com foco em segurança jurídica e desburocratização.
Representantes do agronegócio brasileiro, como a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), defendem a criação de uma política de Estado para o setor. O objetivo é assegurar continuidade e previsibilidade, independentemente dos ciclos de governo, em áreas cruciais como crédito rural, seguro agrícola, infraestrutura e logística. A proposta visa transformar o potencial produtivo do país em competitividade sustentável, ampliando a capacidade de armazenagem, oferecendo financiamento para máquinas e equipamentos, e desenvolvendo instrumentos de seguro rural adequados à gestão de riscos.
Gargalos logísticos e o impacto na competitividade
A infraestrutura logística inadequada é apontada como um dos principais entraves para o agronegócio brasileiro. Enquanto a produção se expandiu para o Centro-Oeste e Norte, os investimentos em recebimento, armazenagem e escoamento da safra não acompanharam o ritmo. Um relatório do USDA alerta que a capacidade logística pode limitar o crescimento do setor até 2034. Os investimentos necessários em infraestrutura de transporte e logística, estimados em R$ 282 bilhões anuais (2,2% do PIB), superam a capacidade do orçamento público. Em 2025, os investimentos somaram R$ 76,5 bilhões (0,6% do PIB), sendo 70% provenientes do setor privado.
A dependência do modal rodoviário, que em 2023 transportou 69% da soja brasileira, agrava o problema. Distâncias percorridas podem chegar a 2 mil quilômetros, e o frete pode representar até 60% do valor por tonelada do milho e 25% da soja em certas operações. Cerca de 70% do custo de transporte da soja brasileira até a China é atribuído ao transporte interno no Brasil. A falta de capacidade de armazenagem, que no Brasil é de cerca de 70% da produção contra 150% nos EUA, pressiona a demanda por caminhões e eleva fretes.
Segurança jurídica e próximos passos para investimentos
Para destravar investimentos em infraestrutura, o setor aponta a necessidade de reduzir entraves como licenciamento ambiental, desapropriações e aprovações administrativas. Segurança jurídica, estabilidade regulatória e desburocratização são consideradas fundamentais para atrair a iniciativa privada. A carteira ferroviária prevista para 2026, com oito leilões e potencial de R$ 140 bilhões em investimentos, foi reprogramada, em sua maioria, para 2027, evidenciando a necessidade de agilidade.
Apesar dos desafios, a participação do Arco Norte nas exportações do agronegócio cresceu de 12% em 2010 para 35% em 2024, reduzindo custos de transporte. O desafio agora é integrar rodovias, ferrovias, hidrovias e terminais em uma rede logística eficiente. Isso exige planejamento de longo prazo, recursos adequados e condições jurídicas e regulatórias que permitam a execução de projetos. A agenda de competitividade do agronegócio depende da colaboração entre o setor público, que deve planejar e regular, e a iniciativa privada, indispensável para mobilizar capital.



