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Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações brasileiras em 14,8% em cinco meses

01 de novembro de 2026
Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações brasileiras em 14,8% em cinco meses

Destaques

  • •Exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% em valor nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial.
  • •Vendas totais somaram US$ 12,21 bilhões, com destaque para complexo soja e carnes, que tiveram altas de 34,2% e 103,5%, respectivamente.
  • •O acordo, assinado em janeiro e com aplicação provisória desde maio, visa facilitar o comércio e reduzir tarifas entre os blocos.

As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia registraram um crescimento expressivo de 14,8% em valor nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre os blocos. Entre maio e setembro de 2026, as vendas totais somaram US$ 12,21 bilhões, um aumento significativo em comparação com o mesmo período de 2025. Em volume, os embarques avançaram 8,1%, atingindo 17,74 milhões de toneladas, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O avanço foi impulsionado principalmente pelo complexo soja e pelas carnes, além de produtos apícolas, frutas e outros itens. As exportações de carnes apresentaram uma alta impressionante de 103,5% em valor e 170% em volume, saltando de 101 mil para 272 mil toneladas. Já as vendas de produtos apícolas, com destaque para o mel, cresceram 367% em valor.

Complexo soja e carnes lideram crescimento

O complexo soja, que abrange grãos, farelo e óleo, manteve sua posição como o principal segmento da pauta exportadora brasileira para o mercado europeu. As vendas aumentaram 34,2% em valor, passando de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, e 20,5% em volume. A soja em grãos, especificamente, registrou um avanço notável de 49% em receita e 35,1% em quantidade.

Outros produtos também apresentaram bons resultados. Produtos florestais tiveram aumento de 23% em valor; frutas, incluindo nozes e castanhas, subiram 15%; e outros produtos de origem animal expandiram 55,5%. Entre os produtos individuais que se destacaram, o abacate teve um crescimento de exportações de 421,2%, alcançando US$ 19,87 milhões, e o óleo de milho bruto, com um avanço de 266,3%, para US$ 129,35 milhões.

Preferências tarifárias e desafios

O período de crescimento coincide com o início da aplicação das preferências tarifárias previstas no acordo comercial, que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio. Produtos como café torrado, café solúvel e abacate já se beneficiam de reduções de tarifas. A eliminação tarifária para cafés será gradual, com conclusão prevista para 2030, enquanto para o abacate, o primeiro corte foi de 20% da tarifa-base, com liberalização total também para 2030.

O acordo também prevê acesso preferencial para produtos como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo, alguns condicionados a cotas de importação. No entanto, o acesso ao mercado europeu também depende do cumprimento de exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade, como o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Superávit comercial aumenta 17%

As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do crescimento nas compras, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com o bloco europeu aumentou 17%, passando de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões.

O acordo Mercosul-União Europeia, assinado em 17 de janeiro, conecta mercados com cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões. A aplicação provisória começou em maio, enquanto a entrada em vigor definitiva depende da conclusão dos procedimentos de aprovação e ratificação. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) oferece materiais técnicos e orientações no Portal Siscomex para auxiliar as empresas no aproveitamento das condições negociadas.

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