Ações do Magazine Luiza disparam 74% em outubro com juros baixos e parcerias

Destaques
- •Ação ordinária do Magazine Luiza acumula alta de 74% em outubro, revertendo queda anual de 15% para 48%.
- •Acordos com Shopee, AliExpress, Amazon e Mercado Livre expandem canais de venda e logística, com expectativa de R$ 7,5 bilhões em vendas adicionais até 2027.
- •Investidores aguardam o impacto das vendas de fim de ano (Black Friday, Natal) e a consolidação do foco em casa e tecnologia.
As ações ordinárias do Magazine Luiza (Magalu) apresentaram uma forte valorização em outubro, acumulando uma alta de 74% no mês até o momento. Essa recuperação expressiva reverteu a tendência negativa do ano, transformando uma queda de cerca de 15% até setembro para um ganho de 48% no acumulado de 2026. A valorização ocorreu em duas etapas: uma subida de 42,6% logo após o primeiro turno das eleições e um ganho adicional de 30% a partir do dia 15 de outubro.
A primeira onda de otimismo foi impulsionada pela perspectiva de juros mais baixos, associada à expectativa de um novo governo que poderia implementar ajustes fiscais. Analistas do Itaú BBA estimam que cada corte de 1 ponto percentual na curva de juros eleva em 11% o lucro por ação do Magalu. Além disso, as dificuldades enfrentadas por concorrentes como a Casas Bahia e a expansão do Magalu em marketplaces devem beneficiar suas receitas e lucros, com projeções de impacto positivo de R$ 7,5 bilhões nas vendas e R$ 300 milhões no lucro até 2027.
Expansão de Canais e Parcerias Estratégicas
Um segundo fator crucial para a valorização recente foi o acordo anunciado em 15 de outubro com a Shopee. Esse movimento estratégico, que segue parcerias anteriores com AliExpress (2024), Amazon (junho) e Mercado Livre (setembro), permite que o Magalu ofereça seu sortimento de produtos, incluindo os do KaBuM!, dentro da seção de lojas oficiais da Shopee, que atrai cerca de 90 milhões de visitantes mensais no Brasil.
A rede varejista brasileira espera atrair mais de 75% de novos consumidores através deste canal, repetindo o sucesso observado com a Amazon e o Mercado Livre. O BTG Pactual elevou a recomendação para Magalu para “compra”, com preço-alvo de R$ 12 em 12 meses, enxergando ganhos com a estratégia de transformar concorrentes em canais de distribuição para seu estoque.
Foco no Ecossistema e Logística como Diferencial
Os investidores também passaram a valorizar o peso do ecossistema próprio do Magalu, que conta com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais em seu aplicativo. O BTG destaca uma virada estratégica focada em se reposicionar como um polo para casa e tecnologia, em vez de um marketplace generalista. O grupo ainda conta com marcas de nicho como KaBuM! (gamer) e Netshoes (esportes).
A divisão de logística, Magalog, tende a ser uma grande beneficiária dessa engrenagem. Sob os acordos, o Magalu mantém a responsabilidade pela logística, o que permite capturar volume adicional de entregas, otimizar rotas e custos por envio. Esse ganho de escala é especialmente relevante em categorias pesadas, como refrigeradores e móveis, onde a infraestrutura logística atua como barreira competitiva e os fretes impactam diretamente as margens.
Os clientes de parceiros já representam mais de 30% da receita da Magalog. O momento favorável da empresa também se alinha com as principais datas de compras do ano, como o 11.11, a Black Friday e o Natal, que devem impulsionar as vendas digitais no quarto trimestre.
Matérias originais
- Ação da Magazine Luiza sobe 74% só em outubro. Entenda o que impulsiona o papel · investnews.com.br



