Vivo e operadoras regionais apostam em conexão de celular via satélite no Brasil

Destaques
- •Vivo lança serviço em parceria com Starlink e Unifique, Brisanet e iez! anunciam acordo com AST SpaceMobile para conectar smartphones diretamente a satélites.
- •Tecnologia visa expandir cobertura para áreas rurais e remotas, com mensagens e chamadas de voz via WhatsApp e iMessage como primeiros serviços.
- •Impacto no mercado de telecomunicações e potencial para novas explorações comerciais de frequências pelas operadoras regionais.
A conexão de celular via satélite está se tornando uma realidade no Brasil, com a Vivo anunciando o lançamento do Vivo Satélite em parceria com a Starlink Mobile, e as operadoras regionais Unifique, Brisanet e iez! firmando um acordo com a norte-americana AST SpaceMobile. A tecnologia permite que smartphones se conectem diretamente a satélites, eliminando a necessidade de antenas ou equipamentos adicionais, com o objetivo principal de expandir o acesso à comunicação em locais remotos e áreas rurais onde as redes móveis tradicionais não alcançam.
A iniciativa da Vivo, em colaboração com a Starlink (empresa de internet via satélite da SpaceX, de Elon Musk), tem o potencial de atingir cerca de 50 milhões de clientes, entre consumidores e empresas. O serviço será oferecido inicialmente sem custo adicional para clientes elegíveis em determinados planos pós-pagos, Controle, Vivo Lite e pré-pagos, com um período promocional de 12 meses para consumidores. As funcionalidades disponíveis na fase inicial incluem mensagens e chamadas de voz por aplicativos como WhatsApp, iMessage e Google Mensagens, além de acesso a Google Maps, Apple Maps e ao aplicativo da Vivo. Chamadas telefônicas convencionais, videochamadas e navegação irrestrita na internet não serão suportadas pela conexão via satélite.
Conexão via satélite: como funciona e para quem se destina
As operadoras regionais Unifique (Sul), Brisanet (Nordeste) e iez! (MG, RJ, ES) planejam utilizar frequências de 700 MHz, comumente usadas para sinais de celular, e investir em estações terrestres para interligar suas redes móveis aos satélites da AST SpaceMobile. A proposta da AST é viabilizar chamadas de voz, banda larga móvel e transmissão de vídeos diretamente em smartphones convencionais. Detalhes financeiros e cronograma de implementação ainda estão em negociação, e a iniciativa depende de aprovações regulatórias.
A AST SpaceMobile está desenvolvendo uma constelação de satélites em órbita baixa, denominada BlueBird, para oferecer conectividade celular direta a aparelhos comuns. A empresa já possui parcerias com operadoras internacionais como AT&T, Verizon e Vodafone, e busca expandir sua infraestrutura para uma operação comercial mais ampla.
Limitações e potencial de mercado
Apesar de ampliar a cobertura, a conexão via satélite ainda enfrenta desafios como a capacidade de transmissão e a recepção de sinal em ambientes fechados, especialmente em áreas urbanas densas. No curto prazo, a tecnologia funcionará como um complemento às redes terrestres, levando conectividade a locais sem cobertura convencional. Para a Vivo, representa uma expansão do alcance de seus serviços, enquanto para as operadoras regionais, o acordo com a AST abre novas possibilidades comerciais para a exploração de suas frequências.
Uma análise da XP sugere que o mercado ainda atribui valor limitado aos ativos móveis das operadoras regionais, especialmente às frequências de 700 MHz. O acordo com a AST pode criar oportunidades para explorar comercialmente esses ativos além dos serviços tradicionais de telefonia, embora os retornos financeiros ainda sejam incertos devido aos investimentos necessários e às condições comerciais não divulgadas.
A Starlink, que já opera com internet via satélite mediante o uso de antena, busca com o Direct-to-Cell ampliar sua atuação para a conexão direta com smartphones. Nos EUA, a SpaceX busca adquirir espectro adicional para reduzir a dependência de operadoras parceiras. No Brasil, o BTG Pactual avalia que o modelo de parceria tende a prevalecer, dada a dificuldade de justificar investimentos para uma operação móvel independente no país, onde as receitas médias por cliente são menores.
A longo prazo, a tecnologia pode intensificar a concorrência se empresas como a Starlink passarem a se relacionar diretamente com consumidores e fabricantes de smartphones, alterando o papel das operadoras tradicionais. Por ora, a conexão via satélite é vista como uma extensão das redes móveis existentes, com seu impacto final dependendo da evolução tecnológica, capacidade de transmissão e modelos comerciais adotados.
Matérias originais
- Celular com sinal via satélite amplia oferta no Brasil. Mas vale a pena? · investnews.com.br



