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Vitória Democrata nos EUA pode afetar reeleição de Gianni Infantino na FIFA

06 de novembro de 2026
Vitória Democrata nos EUA pode afetar reeleição de Gianni Infantino na FIFA

Destaques

  • •A vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA pode intensificar a pressão sobre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, em sua busca por um quarto mandato.
  • •O democrata Jamie Raskin, provável novo presidente do Comitê Judiciário da Câmara, já investigou as relações entre a FIFA e o governo Trump, e pode retomar as apurações.
  • •A eleição de Infantino está marcada para março de 2027, mas as ações do novo Congresso americano podem influenciar o cenário político da FIFA.

A acachapante vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas em novembro, representa um novo desafio para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, em sua articulação para garantir um quarto mandato. Além da pressão interna de confederações como a UEFA, o mandatário da entidade máxima do futebol global pode enfrentar uma poderosa pressão externa, vinda do novo Congresso americano.

Com a tomada do controle do Congresso pelos democratas, assegurando maioria no Senado e na Câmara de Representantes, é dada como certa a nomeação do democrata Jamie Raskin para a presidência do Comitê Judiciário da Câmara. Raskin, que já atuava como membro de maior hierarquia da minoria do comitê, foi um dos democratas a manterem suas cadeiras, enquanto novos correligionários ingressavam no Congresso.

Investigações sobre a relação FIFA-Trump

Apesar de não dispor de poder suficiente nos últimos anos, os democratas, motivados pelo interesse em desgastar o então presidente Donald Trump, apostaram no ataque às controversas relações estabelecidas entre o comando da FIFA e o governo americano durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026. No final de julho, Jamie Raskin iniciou uma série de iniciativas para escrutinar essa relação, com comunicados diretos e pedidos de informações internas.

Como noticiou o site The Athletic em setembro, Raskin e outros colegas reclamaram da falta de colaboração da FIFA, que não teria fornecido documentos considerados prioritários. Entre os pontos de questionamento, Raskin ressaltou benefícios concedidos pelo governo à FIFA, favorecimentos envolvendo o Departamento de Justiça e trocas de gentilezas, presentes e premiações, como a concessão do Prêmio FIFA da Paz e a instalação de um escritório da FIFA na Trump Tower, em Nova York.

Poder de investigação do novo Congresso

Caso ocorra a nomeação à presidência do Comitê Judiciário, a partir de janeiro de 2027, Jamie Raskin passará a ter o poder de emitir intimações e convocar testemunhas no âmbito das investigações conduzidas pelo comitê. O democrata já declarou que pretende focar em investigações sobre indultos presidenciais e contratos governamentais, mas não surpreenderá se os temas Copa do Mundo, FIFA e Infantino voltarem a ganhar destaque.

Outro tópico já abordado por Jamie Raskin foi o ensejo de investigar os pedidos do Departamento de Justiça, feitos em dezembro de 2025, pela anulação das condenações e arquivamento das acusações de pessoas envolvidas com o caso FIFAgate. Esse processo, que se desenrolava desde 2015, foi responsável por um profundo redesenho no mapa do poder no futebol global, após envolver mais de 40 indiciados, entre dirigentes esportivos e executivos de grandes empresas de comunicação.

Impacto na reeleição de Infantino

Com a nova maioria democrata, a oposição terá condições de ampliar o alcance das apurações, requisitar documentos e convocar representantes da FIFA para prestar esclarecimentos. Embora Donald Trump não possa se candidatar à reeleição em 2028, as controvérsias que relacionam a sua administração à FIFA podem respingar em outros potenciais sucessores.

A posição de Gianni Infantino já foi duramente afetada pela fracassada iniciativa do projeto FIFA Forward Enterprises, que visava a venda de 20% dos direitos econômicos das principais competições da FIFA para investidores privados, sob a gestão de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, conselheiro sênior do governo americano e genro de Donald Trump. O vazamento do projeto, elaborado sem consultas ao conselho da FIFA, resultou em forte movimento que exigiu a renúncia de Infantino.

Internamente, o mandatário parece ter assegurado sua reeleição, principalmente após a mudança de posicionamento da AFC (Ásia). No entanto, o cálculo político ainda pode ser impactado pelos movimentos do novo Congresso americano. O prazo para inscrição de candidatos à presidência da FIFA se encerra em 18 de novembro, e a eleição efetivamente ocorrerá em 18 de março de 2027. As possíveis medidas tomadas pelo novo comando do Capitólio e do Comitê Jurídico da Câmara podem surgir como ingredientes decisivos no pleito eleitoral da FIFA.

Na quinta-feira (5), o presidente honorário da Federação Japonesa de Futebol, Kozo Tashima, anunciou que vai concorrer à presidência da FIFA, possivelmente o primeiro ato de uma série de movimentações que agitarão o mundo do futebol nos próximos meses. Caso a oposição encontre um candidato em consenso, o Congresso americano pode se tornar um potencial aliado.

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