Vale (VALE3) perto da mínima anual; R$ 61,40 é ponto decisivo para ação

Destaques
- •Ações da Vale (VALE3) recuam 2,14% e se aproximam da mínima anual de R$ 61,40, pressionadas pela queda do minério de ferro.
- •Analistas técnicos apontam R$ 61,40 como suporte crucial; perda pode intensificar a tendência de baixa, enquanto recuperação pode indicar repique.
- •J.P. Morgan mantém recomendação 'overweight' para VALE3, citando real mais fraco e fatores operacionais, apesar do cenário de curto prazo.
As ações da Vale (VALE3) atingiram uma região técnica de atenção após aprofundarem o movimento de queda iniciado após a máxima histórica de R$ 89,41. Na última sessão, o papel recuou 2,14%, fechando a R$ 63,00, e voltou a negociar próximo da mínima do ano, registrada em R$ 61,40. No acumulado de 2026, a mineradora acumula uma desvalorização de 10,29%.
A pressão sobre o papel ocorre após uma sessão atípica em 26 de outubro, quando o Ibovespa sofreu forte queda e o dólar disparou. Naquele dia, a Vale chegou a avançar mais de 7% durante o pregão, impulsionada pelo câmbio e seu perfil exportador, terminando o dia com alta de 4,01%. Contudo, o movimento perdeu força na sessão seguinte, com a VALE3 voltando a cair devido à fraqueza do minério de ferro, que atingiu o menor patamar em mais de dois anos em Dalian, refletindo preocupações com a demanda por aço e o aumento esperado da oferta da commodity.
Suporte decisivo em R$ 61,40
Do ponto de vista técnico, a ação se encontra em uma tendência de baixa bem definida, com topos e fundos descendentes desde a máxima histórica de R$ 89,41, alcançada em fevereiro de 2026. O movimento vendedor se intensificou a partir de setembro, levando o papel à mínima anual de R$ 61,40, que agora funciona como um importante suporte.
No gráfico diário, a VALE3 negocia abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, mantendo o viés negativo. O Índice de Força Relativa (IFR) está em 32,06 pontos, próximo da região de sobrevenda, mas sem sinalizar exaustão clara. Uma reação a partir de R$ 61,40 pode abrir espaço para um repique técnico, mas a perda desse nível aumenta o risco de continuidade da queda, com suportes subsequentes em R$ 59,67 e R$ 56,80.
Para uma melhora no curto prazo, a ação precisa recuperar as faixas de R$ 64,36 e R$ 67,25. Acima delas, as próximas resistências se encontram em R$ 69,84 e R$ 74,27.
Cenário de médio prazo e perspectivas do mercado
No gráfico semanal, a estrutura da Vale também se mostra baixista. Desde a máxima histórica, o papel forma topos e fundos descendentes e segue pressionado abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos. Próxima da mínima recente em R$ 61,40, a ação se aproxima da região de sobrevenda no IFR (14), que marca 34,30 pontos.
A perda de R$ 61,40 pode intensificar a pressão vendedora, com alvos em R$ 58,71 (média de 200 períodos) e R$ 56,16. Para reverter o cenário de médio prazo, a VALE3 necessita recuperar as médias de R$ 68,33 e R$ 72,90, com resistência posterior em R$ 82,25 e a máxima histórica de R$ 89,41.
Apesar do cenário técnico adverso de curto prazo, o J.P. Morgan incluiu a Vale entre as ações de commodities destacadas no pós-eleição. O banco mantém recomendação overweight para VALE3, argumentando que um real mais fraco tende a favorecer companhias com receitas dolarizadas. Pontos positivos citados incluem produção consistente, redução de custos e a resolução do acordo de Mariana.
A Vale divulgará seus resultados do terceiro trimestre de 2026 em 29 de outubro, em um ambiente de preços mais pressionados para o minério de ferro e expectativas cautelosas para o setor de mineração e siderurgia.



