Vale tem lucro de US$ 1,25 bilhão no 3º tri, queda de 53%

Destaques
- •Lucro líquido da Vale cai 53% no terceiro trimestre, para US$ 1,25 bilhão, impactado por menor preço do minério de ferro e aumento de custos.
- •A mineradora adia pagamento de dividendos extraordinários devido a incertezas geopolíticas globais e mantém cautela com caixa.
- •Vale espera avanços regulatórios em Brasília para destravar investimentos em cobre e ampliar competitividade no minério de ferro.
A mineradora Vale registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre, uma queda de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado pela desvalorização dos preços realizados do minério de ferro e por pressões de custo, como a valorização do real e o aumento das despesas com frete e combustível.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou US$ 3,327 bilhões, recuo de 24% na comparação anual, enquanto a receita líquida de vendas totalizou US$ 10,599 bilhões, alta de 2%.
Ambiente de mercado desafiador
O principal negócio da Vale, o minério de ferro, enfrentou um cenário mais adverso. O preço médio realizado do minério de ferro no trimestre foi de US$ 85,1 por tonelada, queda de 10% na comparação anual e trimestral. Paralelamente, o custo caixa C1 subiu 12% para US$ 23,1 por tonelada, e o custo all-in atingiu US$ 60,4 por tonelada, avanço de 21%.
O aumento dos custos está ligado aos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, que elevam os preços do petróleo e derivados, gerando temores sobre a oferta. A Vale, no entanto, destacou que sua estratégia de frete marítimo, com contratos de longo prazo e frota eficiente, atenuou parte do impacto da alta dos combustíveis e da valorização do real.
A diferença entre o custo de frete da Vale e o mercado spot chegou a US$ 14 por tonelada no trimestre.
Desempenho operacional e projeções
A produção de minério de ferro somou 88,4 milhões de toneladas, queda de 6%, impactada pela menor disponibilidade em Serra Norte. As vendas, porém, cresceram 0,3%, para 86,3 milhões de toneladas, com a venda de estoques.
A produção de cobre e níquel segue dentro das projeções. O cobre teve preço médio realizado de US$ 15.314 por tonelada, alta de 56%, com Ebitda ajustado do negócio crescendo 66% para US$ 1,021 bilhão. No níquel, a produção aumentou 6%, mas o Ebitda ajustado caiu 14% para US$ 98 milhões devido a maiores custos.
A Vale reafirmou a confiança em atingir o limite inferior de seu guidance de produção de minério de ferro para 2026, entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.
Cautela com dividendos e investimentos
A mineradora não prevê o pagamento de dividendos extraordinários neste ano. O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Marcelo Bacci, afirmou que a decisão se deve às incertezas geopolíticas globais, preferindo conservar caixa e manter a dívida baixa.
Os investimentos totalizaram US$ 1,25 bilhão no trimestre, em linha com o ano anterior, e a empresa espera encerrar 2026 no piso da faixa projetada, entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões. A dívida líquida expandida encerrou setembro em US$ 16,413 bilhões, 1% abaixo do nível de um ano antes.
Bacci considera as ações da Vale descontadas e vê programas de recompra como uma alternativa atraente de alocação de capital.
Avanços regulatórios esperados em Brasília
A Vale espera que a continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva favoreça o avanço de duas iniciativas regulatórias: a regulamentação da Lei de Minerais Críticos e um novo decreto sobre cavidades naturais. A expectativa é que a regulamentação dos minerais críticos crie condições para ampliar investimentos em cobre, com metas de produção de 500 mil toneladas em 2030 e 700 mil toneladas em 2035.
O decreto sobre cavidades naturais tem implicações diretas para o negócio de minério de ferro, especialmente no Sistema Norte, com potencial para ampliar a produção e reduzir custos operacionais. Apesar do potencial, o CFO descartou impacto imediato sobre os resultados.



