Trump endurece política de imigração e reduz fluxo de estrangeiros nos EUA

Destaques
- •Fluxo de migrantes na fronteira sul dos EUA despencou após retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025.
- •Medidas incluem congelamento de pedidos de asilo, fim do 'deter e liberar' e construção acelerada de muro.
- •Detenções e deportações aumentaram, mas táticas geram preocupação interna e divisão política.
O retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025 marcou uma drástica redução no fluxo de migrantes na fronteira sul dos Estados Unidos. Durante o governo de Joe Biden (2021-2025), foram registrados mais de 4,5 milhões de "encontros" (abordagens, interceptações ou detenções) de migrantes, com cenas caóticas de acampamentos improvisados em cidades fronteiriças. Com Trump no poder, o número de "encontros" despencou e as ruas de cidades como El Paso, no Texas, voltaram à tranquilidade.
Fronteira "mais segura" com muro e repressão
Para atingir o que o presidente descreve como a fronteira "mais segura" da história, o governo Trump adotou um enfoque agressivo. As medidas incluíram o congelamento efetivo dos pedidos de asilo na fronteira, o fim da prática de "deter e liberar" os migrantes nos Estados Unidos, o deslocamento de soldados para a fronteira e a pressão sobre o México para reduzir o fluxo de pessoas. O secretário de Segurança Nacional, Markwayne Mullin, declarou que "a aplicação rigorosa da lei funciona" e que Trump cumpriu sua promessa de uma fronteira segura.
A construção do "grande e belo muro" na fronteira com o México foi acelerada com US$ 46,5 bilhões (cerca de R$ 250,5 bilhões) em novos fundos. Foram completados mais 402 km de muros novos, com barreiras primárias, secundárias e aquáticas, além de meios tecnológicos de detecção. Atualmente, mais 2.322 km de barreiras estão em construção. No entanto, especialistas como Aaron Reichlin-Melnick, do Conselho Americano de Imigração, questionam o impacto real do muro, afirmando que a redução dos cruzamentos se deve mais às políticas e à mensagem de Trump.
Detenções e deportações em massa geram controvérsia
As operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em território americano para deter pessoas em situação irregular aumentaram significativamente. Trump prometeu "a maior operação de deportação da história americana", que começaria com pessoas que tivessem cometido crimes. Em julho de 2026, foram quase 50 mil detenções, segundo dados do Projeto de Dados sobre Deportação. Contudo, grande parte das detenções envolve pessoas sem condenações criminais.
As deportações também aumentaram, com o ICE expulsando em média 1.255 pessoas por dia em meados de julho de 2026, contra cerca de 770 nos últimos meses do governo Biden. As táticas do ICE geraram preocupação, inclusive entre apoiadores de políticas mais rígidas, como evidenciado pela operação "Metro Surge" em Minneapolis, que deixou dois cidadãos americanos mortos. Pesquisas indicam divisão: 50% dos eleitores confiam nos democratas para gerenciar a imigração, contra 46% nos republicanos. Entre republicanos, 31% dos não seguidores do movimento Maga consideram a campanha contra a migração agressiva demais.
Refugiados e vistos: restrições e novas regras
Após retornar à Casa Branca, Trump suspendeu a admissão de refugiados, reabrindo o processo de forma restrita aos afrikaners da África do Sul, um grupo étnico que, segundo a Casa Branca, estaria sendo "perseguido", o que o governo sul-africano nega. O limite máximo de admissão de refugiados para o ano fiscal de 2026 foi fixado em 7,5 mil, depois ampliado para 17,5 mil. No total, 16.292 refugiados foram admitidos, sendo 16.287 sul-africanos. Em comparação, nos últimos dois anos fiscais de Biden, ingressaram 60 mil e 100 mil pessoas, respectivamente.
O cancelamento do Status de Proteção Temporária (TPS) afetou centenas de milhares de pessoas, incluindo cerca de 350 mil haitianos. Outras vias legais para morar e trabalhar nos EUA também se tornaram mais rígidas. Pedidos de vistos para cidadãos de países considerados de risco foram congelados. A imposição de uma taxa de US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) para novos vistos H1-B, destinados a trabalhadores qualificados, abalou o setor de tecnologia, com uma diminuição de 40% nas inscrições para 2027. Um tribunal bloqueou a taxa, mas a ameaça dissuadiu empregadores. Um estudo da Escola de Negócios Wharton sugere que as mudanças no H1-B não trariam impacto significativo nos salários americanos. Paralelamente, foi lançado o "gold card de Trump", que exige US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões) para atrair estrangeiros abastados, mas teve adoção mínima, com apenas uma solicitação aceita em abril.



