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Urbia avalia PPPs para expandir atuação em parques públicos no Brasil

23 de outubro de 2026
Urbia avalia PPPs para expandir atuação em parques públicos no Brasil

Destaques

  • •A Urbia, concessionária do Parque Ibirapuera, estuda parcerias público-privadas (PPPs) para viabilizar a gestão de parques com menor potencial de receita comercial.
  • •A empresa já administra 12 operações em cinco estados, com mais de R$ 430 milhões em investimentos privados, e busca modelos que equilibrem custos públicos e qualidade dos serviços.
  • •O mercado de concessão de parques no Brasil possui 39 contratos vigentes e cerca de 20 ativos em pipeline, com a Urbia de olho em novas oportunidades.

A Urbia, empresa que administra o Parque Ibirapuera há seis anos, está avaliando expandir sua atuação no setor de concessões de parques públicos no Brasil. Uma das estratégias em estudo são as parcerias público-privadas (PPPs), que poderiam viabilizar a gestão de parques que não possuem receitas comerciais suficientes para cobrir seus custos operacionais.

Atualmente, a Urbia possui 12 operações em cinco estados, incluindo parques urbanos e unidades de conservação, com um investimento total de mais de R$ 430 milhões de capital privado. Além do Ibirapuera, a empresa gerencia as concessões dos parques Iguaçu (PR) e Jericoacoara (CE), em consórcio com o Grupo Cataratas, e os Cânions Verdes nos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral (RS/SC).

O modelo de gestão do Parque Ibirapuera, que recebeu 17 milhões de visitantes em 2025, é financiado por patrocínios, eventos e serviços, sem contraprestação pública ou cobrança de ingressos. No entanto, o presidente do Grupo Construcap e da Urbia, Roberto Capobianco, ressalta que esse modelo não é replicável em todos os locais.

Novos modelos para parques públicos

"É difícil replicar o modelo Ibirapuera. Mas muitos parques se resolvem com uma parceria público-privada", afirmou Capobianco em entrevista ao NeoFeed. Segundo ele, as PPPs permitem um equilíbrio contratual, onde o governo pode ter um gasto menor, mas ainda assim oferecer um serviço de qualidade aos cidadãos.

A Urbia faz parte do Grupo Construcap, que atua em engenharia, construção, infraestrutura e investimentos em concessões e PPPs, com projetos em saúde (Inova Saúde) e rodovias (Elovias). Capobianco vê o setor de parques como a "próxima fronteira" da infraestrutura social, que engloba serviços públicos em áreas como saúde, educação, cultura e lazer.

Ele destaca que o mercado de parques já atingiu maturidade, deixando de ser um projeto-piloto para se tornar uma solução estruturada para políticas públicas e desenvolvimento regional. Capobianco também enfatiza que os modelos de concessão e PPP não implicam na privatização dos parques, mas sim na gestão e operação de um bem público.

Mercado de concessão de parques no Brasil

O mercado brasileiro conta com 39 contratos vigentes de concessão de parques, de acordo com levantamento da Garín Partners em outubro de 2026. Dos 20 contratos com valores divulgados, os investimentos previstos somam R$ 1,7 bilhão, sem contraprestações públicas.

O pipeline identifica cerca de 20 ativos em diferentes fases de preparação. Entre eles, estão a PPP de seis parques estaduais de São Paulo, cujo leilão foi suspenso em julho, e a PPP do Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, ainda em estruturação. A Urbia tem acompanhado esses e outros estudos, como os da prefeitura de Goiânia.

Marcelo Lagnado, sócio da Garín Partners, observa que os primeiros projetos focaram em parques com alto potencial de arrecadação, onde as concessionárias assumiram o risco de demanda. "O filé já foi leiloado", disse. Agora, surgem PPPs patrocinadas ou administrativas, com participação financeira do poder público, mas que enfrentam restrições orçamentárias de estados e municípios.

O modelo Ibirapuera e outros parques em SP

A concessão do Ibirapuera, assinada em dezembro de 2019 e com início em 2020, tem prazo de 35 anos e inclui outros cinco parques municipais de São Paulo: Eucaliptos, Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Lajeado e Tenente Brigadeiro Faria Lima. O modelo de subsídio cruzado utiliza o excedente das receitas comerciais e patrocínios do Ibirapuera para financiar a manutenção e segurança dos outros cinco parques, que possuem menor capacidade de arrecadação.

A Urbia informa ter investido R$ 360 milhões no conjunto dos seis parques, sendo R$ 110 milhões acima das obrigações contratuais. A empresa também desembolsou R$ 70,5 milhões em outorga à prefeitura de São Paulo. A gestão desses parques representa uma economia estimada de R$ 25 milhões por ano para a prefeitura em serviços de manutenção.

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