Uninter investiga suposto vazamento de 7,34 TB de dados de alunos

Destaques
- •Criminosos alegam ter vazado 7,34 TB de dados de alunos e candidatos da Uninter, incluindo documentos de identidade e históricos escolares.
- •A instituição confirma a investigação e notificação às autoridades, mas não corrobora os números divulgados pelos invasores.
- •Especialistas alertam para o aumento do risco de fraudes e golpes após vazamentos de dados pessoais.
A instituição de ensino superior Uninter está sob investigação após criminosos anunciarem a venda de supostos 7,34 TB de dados vazados em um fórum ilegal. Os arquivos, que incluiriam documentos de identidade, diplomas, certidões de casamento e históricos escolares, poderiam afetar pelo menos dois milhões de usuários, segundo os responsáveis pelo incidente. A Uninter, que possui cerca de 729 mil alunos entre graduação e pós-graduação, confirmou ter conhecimento das alegações e que acionou seu protocolo de resposta a incidentes, com apoio de especialistas em segurança da informação. As autoridades competentes foram notificadas e a apuração está em andamento.
Falha de controle de acesso teria permitido o vazamento
Os criminosos, que se identificam como Kazu, alegam que a origem dos dados é o Portal do Candidato, um subdomínio da Uninter. Eles afirmam que uma falha do tipo “Controle de Acesso Comprometido” (Broken Access Control) permitiu a extração das informações diretamente do sistema. Essa vulnerabilidade ocorre quando um sistema falha em restringir as ações que usuários podem realizar, permitindo acesso indevido a dados. A falha de “Controle de Acesso Comprometido” é classificada como a principal ameaça no ranking OWASP Top 10, lista que reúne as dez falhas de segurança mais comuns na internet.
Uma amostra pública do material vazado, com cerca de 1,2 GB compactado, foi analisada pela reportagem. Ela contém 13 pastas com 2.491 arquivos pessoais, organizados e nomeados em português, sem criptografia. Os arquivos incluem documentos como comprovantes de identificação, históricos escolares, diplomas e comprovantes de vínculo com a instituição, muitos deles em formato de imagem.
Uninter não confirma volume, mas reforça segurança
Em nota oficial, a Uninter declarou que os números divulgados pelo grupo criminoso, como o volume de dados e a quantidade de arquivos, não foram confirmados pela instituição e não correspondem necessariamente ao número de pessoas afetadas. O dimensionamento do incidente é objeto da investigação em curso. A instituição repudiou a ação criminosa e afirmou que “não negocia nem atende a qualquer tipo de exigência de extorsão”, priorizando a proteção dos dados de estudantes, candidatos e colaboradores.
Os criminosos alegam ter vazado 110 GB de dados em um fórum ilegal, o que representaria 1,50% do total alegado. A instituição não confirmou esses números, mas informou que, após identificar o caso, adotou medidas de contenção e reforço de controles de segurança. A apuração está sendo conduzida de forma confidencial pelas autoridades.
Riscos e como se proteger após vazamento de dados
Vazamentos de dados aumentam o risco de fraudes e golpes, pois criminosos podem usar as informações para se passar por terceiros, abrir contas ou aplicar golpes direcionados. Especialistas recomendam o monitoramento de contas financeiras, desconfiança de contatos inesperados e a verificação de solicitações por canais oficiais. É importante também proteger o CPF, reforçar a segurança de contas digitais com senhas fortes e autenticação de dois fatores, e monitorar registros bancários e de crédito.
Em casos de vazamento de dados sensíveis, como os que envolvem informações de saúde ou origem racial, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) prevê responsabilidade objetiva da empresa, podendo gerar dano moral presumido. Para dados comuns, como documentos de identificação, é necessário provar o prejuízo para eventual indenização, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ).



