Trump insinua fraude no Brasil e é criticado por NYT

Destaques
- •Donald Trump voltou a questionar a legitimidade da eleição brasileira, afirmando que "pareceu mais uma eleição fraudada", sem apresentar provas.
- •O jornal The New York Times criticou a interferência de Trump em eleições estrangeiras, citando o Brasil como exemplo e alertando para o enfraquecimento da democracia e dos interesses americanos.
- •O Brasil reagiu às falas de Trump com declarações de ministros e assessores, defendendo a segurança do sistema eleitoral e a soberania nacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insinuar, sem apresentar provas, que a eleição presidencial brasileira, na qual Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, foi fraudada. Em um comício no Texas, Trump declarou que os democratas são os "maiores fraudadores de eleições da história" e acrescentou que o Brasil "também está fazendo um bom trabalho nisso", questionando o resultado.
As declarações de Trump geraram críticas e reações tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O jornal The New York Times publicou um editorial criticando a interferência do presidente americano em eleições estrangeiras, apontando o Brasil como principal exemplo. Segundo o NYT, essa atuação prejudica a democracia, os interesses nacionais americanos e enfraquece a posição internacional dos EUA.
Interferência em eleições e críticas internacionais
O editorial do NYT detalha que, nos últimos dois anos, Trump ou membros de seu gabinete declararam apoio a candidatos em diversos países, como Argentina, Colômbia, Honduras, Hungria, Israel, Japão e Polônia. O jornal ressalta que a interferência em eleições de Estados democráticos é uma atitude antidemocrática, pois os americanos não fazem parte do eleitorado brasileiro, demonstrando um desrespeito à soberania nacional.
A publicação também citou medidas de Washington que teriam favorecido a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), como a tarifa sobre produtos brasileiros importados pelos EUA e sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O jornal conclui que a estratégia da Casa Branca de favorecer políticos de extrema direita globalmente enfraquece a credibilidade dos EUA na defesa de ideais democráticos.
Reações no Brasil e nos EUA
No Brasil, a declaração de Trump, que questionou a legitimidade da eleição sem apresentar provas, gerou respostas contundentes. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o Brasil "não será colônia de ninguém". O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou a fala de Trump como "totalmente equivocada" e defendeu a segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro, considerado um exemplo para o mundo.
O ex-chanceler Celso Amorim, assessor de Lula, criticou as falas do americano, afirmando que ele está "mal informado" e que suas declarações são contraditórias, especialmente após Trump dizer que gosta do presidente Lula. Amorim sugeriu que, se Trump se referia a fraudes, talvez estivesse pensando na atuação da Meta (empresa dona do Facebook e Instagram) em restringir conteúdos durante a eleição.
Parlamentares democratas nos Estados Unidos já haviam alertado para os riscos de intervenção americana no pleito brasileiro, com senadores enviando uma carta ao secretário de Estado acusando integrantes do governo de conduzirem uma campanha de desestabilização no Brasil. Outros líderes de direita do continente, como Abelardo de la Espriella (Colômbia) e Keiko Fujimori (Peru), aliados de Trump, reconheceram o resultado eleitoral e parabenizaram Lula, em contraste com a postura do presidente americano.
Próximos passos e contexto político
Apesar das declarações de Trump, o resultado do segundo turno da eleição brasileira foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, ainda na noite de domingo. Lula derrotou Flávio Bolsonaro por uma margem de 4,4 milhões de votos válidos. O jornal O Globo informou que Flávio Bolsonaro deixou o país rumo aos EUA, com aliados indicando que o Departamento de Estado planeja emitir vistos para ele e sua família.
Trump, que nega ter perdido as eleições de 2020 para Joe Biden, afirmou que respeitará os resultados das eleições de meio de mandato dos EUA caso o pleito seja "honesto". O republicano tem realizado comícios intensos para impulsionar candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato, que ocorrem em 3 de novembro, mas sua aprovação tem sido baixa.
Matérias originais
- NYT: interferência de Trump em eleições como a do Brasil prejudica posição dos EUA · infomoney.com.br
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- Trump volta a dizer que eleições no Brasil pareceram fraudadas · cnnbrasil.com.br
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