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Trump diz que eleição no Brasil 'pareceu fraudada' e que gosta de Lula

26 de outubro de 2026
Trump diz que eleição no Brasil 'pareceu fraudada' e que gosta de Lula

Destaques

  • •Presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a eleição brasileira "pareceu mais uma eleição fraudada", sem apresentar provas.
  • •Trump afirmou gostar do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, mas criticou a condução da votação e a prorrogação do horário eleitoral.
  • •O ex-estrategista Steve Bannon pediu o rompimento de relações diplomáticas e comerciais com o Brasil, classificando o governo Lula como "ilegítimo".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (26) que a eleição presidencial brasileira "pareceu mais uma eleição fraudada", sem apresentar qualquer indício de irregularidade. Em declaração a jornalistas, o republicano afirmou que o pleito "pareceu tão, tão corrupto, tão terrível" e que a forma como os votos foram contabilizados e a prorrogação do horário eleitoral transmitiram uma "impressão muito ruim" ao mundo.

Apesar das declarações sobre a suposta fraude, Trump também afirmou que "gosta de Lula" e que se dá "muito bem" com o presidente brasileiro. Questionado sobre a possibilidade de tomar alguma medida em relação ao pleito, o presidente americano respondeu que é presidente dos Estados Unidos e não do Brasil, e que não havia tomado partido na disputa. A cautela de Trump contrasta com a postura de aliados de Flávio Bolsonaro nos EUA, como o ex-estrategista Steve Bannon, que pediu o rompimento de relações diplomáticas e comerciais com o Brasil, classificando o governo Lula como "ilegítimo".

Reação de aliados de Bolsonaro e posicionamento dos EUA

O ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, pediu que os Estados Unidos rompam relações diplomáticas e comerciais com o Brasil após a reeleição de Lula. Em um programa de TV, Bannon classificou o governo brasileiro como "ilegítimo" e "marxista globalista". Ele também usou o resultado para alertar sobre as eleições de meio de mandato nos EUA (midterms), previstas para a semana seguinte, sugerindo que um resultado desfavorável aos republicanos seria fabricado.

A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral contra a Meta (empresa dona do Facebook e Instagram), acusando a empresa de colocar barreiras a conteúdos do petista nas redes sociais para favorecer Flávio Bolsonaro. A Meta nega interferências. O ex-chanceler Celso Amorim, assessor de Lula, classificou a fala de Trump como "contraditória" e "mal informada", sugerindo que a empresa Meta, e não o processo eleitoral, tentou fraudar a eleição.

Histórico de tensões e aproximações entre Trump e Lula

A relação entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada por momentos de tensão e trégua. Após a eleição de Trump em 2016, o governo brasileiro levou um dia para reconhecer a vitória do republicano. Em 2025, após um encontro inesperado na Assembleia Geral da ONU, os dois presidentes conversaram por telefone e se reuniram pessoalmente na Malásia, o que levou à retirada de tarifas sobre parte dos produtos brasileiros e à suspensão de sanções a ministros do STF. No entanto, em 2026, o governo americano voltou a aplicar tarifas sobre produtos brasileiros e adotou medidas diplomáticas que ampliaram o desgaste.

As tarifas adicionais impostas por Trump sobre produtos brasileiros em 2025, justificadas pelo julgamento de Jair Bolsonaro, geraram forte reação de Lula, que afirmou que o Brasil "não aceitaria ser tutelado por ninguém". As medidas americanas foram contestadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 2026, novas tarifas foram anunciadas, e o governo americano revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em resposta à demora na concessão do aval diplomático para o indicado de Trump à embaixada em Brasília.

O resultado da eleição brasileira e as contestações

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O candidato derrotado do PL afirmou que não reconhece o resultado e que recorrerá à Justiça para pedir a anulação do pleito, contestando a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que apenas 35 mil pessoas votaram após as 17h, e Lula registrou uma vantagem de 4,4 milhões de votos sobre Flávio.

Apesar de Trump ter elogiado o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o governo americano evitou endossar formalmente sua candidatura durante a campanha, temendo que isso pudesse beneficiar Lula ao reforçar o discurso de interferência estrangeira. A cautela do governo Trump em se manifestar sobre o resultado foi atribuída à espera de uma definição sobre a posição do candidato derrotado.

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