Morgan Stanley reduz recomendação de ações brasileiras para neutra

Destaques
- •Morgan Stanley rebaixou a recomendação para ações brasileiras de overweight para equal-weight.
- •O banco cita riscos fiscais e a probabilidade de continuidade das políticas econômicas atuais.
- •A instituição aumentou a exposição a exportadoras como Vale, Embraer e JBS, e incluiu Suzano.
O Morgan Stanley reduziu sua recomendação para as ações brasileiras em sua carteira modelo para a América Latina, passando de overweight (exposição acima da média) para equal-weight (exposição neutra). A decisão foi anunciada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reflete a percepção do banco sobre uma probabilidade elevada de continuidade das políticas econômicas e um aumento dos riscos fiscais nos próximos anos.
Segundo os estrategistas do banco, liderados por Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, o Brasil pode enfrentar um cenário desafiador com câmbio depreciado, juros elevados e desaceleração econômica. O reequilíbrio fiscal, considerado necessário, é visto como improvável pelo banco, o que pode levar a uma redução do apetite por risco dos investidores e impactar negativamente as avaliações das ações brasileiras.
Rotação para exportadoras e commodities
Apesar da redução geral da exposição ao mercado brasileiro, o Morgan Stanley optou por não adotar uma recomendação underweight (exposição abaixo da média). A justificativa é que o peso de exportadoras e grandes bancos na bolsa brasileira tende a mitigar uma deterioração mais acentuada dos lucros corporativos. Os estrategistas afirmaram que preferem a face externa do mercado brasileiro, cujos motores de crescimento estão mais ligados aos preços das commodities do que à política doméstica.
Como reflexo dessa visão, o banco promoveu uma ampla rotação em sua carteira. A exposição a empresas exportadoras e mais beneficiadas por um real potencialmente mais fraco foi aumentada. As posições em Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3) e JBS (BDR: JBSS32) foram elevadas. Além disso, a Suzano (SUZB3) foi recolocada na carteira modelo, sendo a principal inclusão do relatório. A empresa foi adicionada para ampliar a exposição a companhias que geram caixa em dólar, especialmente após o resultado das eleições brasileiras.
Cortes em empresas sensíveis a juros e consumo
Por outro lado, o Morgan Stanley reduziu posições em empresas consideradas mais sensíveis à dinâmica dos juros e ao crescimento da economia doméstica. Entre os cortes estão B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), XP, Nubank (ROXO34), Mercado Livre (MELI34) e Sabesp (SBSP3). O banco argumenta que um ambiente de juros "mais altos por mais tempo" e de atividade econômica mais fraca tende a dificultar o desempenho dessas companhias, especialmente aquelas ligadas ao mercado de capitais, crédito e consumo.
As reduções mais expressivas na carteira foram justamente em B3, BTG Pactual, XP e Nubank. Essa movimentação reflete a avaliação de que o cenário pós-eleição deve ser menos favorável para empresas dependentes da expansão do mercado financeiro e da queda dos juros.
Chile e Argentina ganham preferência regional
No âmbito regional, o Morgan Stanley passou a enxergar melhores oportunidades em outros mercados latino-americanos. O banco tem recomendação overweight para Chile e Argentina, citando menor risco político no caso chileno e perspectivas favoráveis para investimentos e crescimento dos lucros corporativos.
Na avaliação dos estrategistas, a combinação de incertezas fiscais domésticas e um cenário externo ainda favorável reforça uma estratégia mais seletiva no Brasil. A preferência segue concentrada em materiais básicos, energia e imobiliário, segmentos que devem continuar se beneficiando do ambiente global para commodities e da busca por ativos com receitas dolarizadas.


