Trump alivia sanções contra Rússia e aproxima-se de Putin, gerando críticas

Destaques
- •Presidente dos EUA, Donald Trump, abandona anos de política externa americana ao se aproximar de Vladimir Putin e aliviar pressão econômica sobre o Kremlin.
- •Medidas incluem a compra de diesel russo sem contrapartida e pressão para que a Ucrânia cesse ataques a refinarias, com o objetivo de reduzir preços de combustíveis antes das eleições de meio de mandato.
- •Analistas divergem sobre a eficácia da estratégia de Trump em obter concessões de Putin sobre a Ucrânia, enquanto a Rússia busca reafirmar sua posição como potência global.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alterou significativamente a política externa americana ao se aproximar publicamente do líder russo Vladimir Putin e aliviar a pressão econômica sobre o Kremlin. Essa mudança ocorre um ano após a imposição de sanções às petroleiras russas, em um momento em que Trump busca reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato. A nova abordagem contrasta com anos de pressão e com a política anterior de evitar negócios com a Rússia enquanto o conflito na Ucrânia persistir.
Aproximação e alívio de sanções
Em uma guinada na política externa, Trump anunciou em 9 de outubro que os Estados Unidos passariam a comprar diesel russo sem exigir qualquer contrapartida de Putin. Além disso, o governo americano pressionou a Ucrânia a interromper seus ataques a refinarias de petróleo russas, uma das principais ferramentas de pressão de Kiev, e suspendeu sanções anteriormente impostas. Trump chegou a afirmar que a Rússia tem se comportado bem em relação à Ucrânia, uma declaração que surpreendeu muitos observadores.
A motivação política para reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições é clara, mas a medida também reflete a afinidade que Trump demonstra há muito tempo por Putin, cultivada pelo líder russo. Moscou busca desvincular a guerra na Ucrânia de potenciais acordos comerciais e de uma aproximação diplomática com os EUA, e a Casa Branca agora afirma que esses acordos podem mostrar à Rússia os benefícios da paz.
Negociações e objetivos russos
O Kremlin informou que Putin concordou em realizar negociações com Ucrânia e Estados Unidos no próximo mês, embora em nível técnico e com autoridades russas minimizando a disposição de um acordo abrangente. Fortalecida, Moscou busca reafirmar sua posição como potência global equivalente aos Estados Unidos e à China, promovendo a realização de uma cúpula trilateral em novembro. Jornalistas pró-Kremlin celebram a mudança de postura americana como uma vitória diplomática.
Analistas consideram que os incentivos econômicos oferecidos por Trump podem ser uma resposta inadequada para uma guerra com motivações políticas e de segurança. No entanto, o enviado econômico de Putin, Kirill Dmitriev, afirmou que a cooperação econômica entre Rússia e Estados Unidos será ampliada, com discussões sobre data centers, energia e fertilizantes. A libertação de Stephen James Hubbard, professor americano detido na Rússia, foi apresentada por Trump como um gesto de consideração de Putin por ele.
Perspectivas e críticas
A estratégia de Trump de oferecer incentivos para encerrar o conflito é vista por alguns especialistas como ineficaz. Outros observam que a reaproximação com Washington pode não ser mais suficiente para garantir à Rússia um acordo nos termos desejados por Moscou, especialmente com a Europa assumindo um papel maior no apoio à Ucrânia e com a deterioração das relações entre Putin e líderes europeus. A inconsistência da política de Trump também gera incertezas entre as autoridades russas.



