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Mercados brasileiros: Ibovespa e câmbio entre turnos eleitorais

23 de outubro de 2026
Mercados brasileiros: Ibovespa e câmbio entre turnos eleitorais

Destaques

  • •Histórico de eleições mostra Ibovespa e Small Caps com ganhos frequentes entre os turnos, enquanto dólar e euro têm trajetórias mais irregulares.
  • •O período pós-primeiro turno de 2022 viu forte rali impulsionado pela queda dos juros futuros, com bancos e varejistas liderando os ganhos.
  • •Investidores estrangeiros mostram otimismo com ativos latino-americanos, com Brasil como principal aposta, focando em ajustes fiscais e valuations.

O período entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil historicamente apresenta movimentos distintos para a Bolsa de Valores e o câmbio. Um levantamento da Elos Ayta, a pedido do InfoMoney, analisou o comportamento de ativos financeiros em anos eleitorais e constatou que o Ibovespa e o índice Small Caps frequentemente registram ganhos nesse intervalo. Em contrapartida, o dólar e o euro exibem trajetórias mais irregulares, refletindo a incerteza dos investidores diante das disputas eleitorais.

Em cinco das seis eleições presidenciais analisadas, o Ibovespa fechou o período entre os turnos em alta, com a exceção de 2014. O índice de empresas de menor valor de mercado, as small caps, mostrou ainda mais consistência, apresentando ganhos em cinco dos seis pleitos, o que sugere que momentos de maior definição eleitoral tendem a beneficiar ativos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico.

Comportamento dos ativos em eleições passadas

Na eleição de 2002, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibovespa avançou 8,15% entre os turnos. Em 2006, na reeleição de Lula, o índice subiu 7,9%, com as small caps em alta de 5,47%. Em 2010, com a vitória de Dilma Rousseff, o Ibovespa teve ganho modesto de 0,63%, enquanto as small caps valorizaram 4,78%. Em 2014, o Ibovespa recuou 4,77% e as small caps caíram 5,75%. O melhor desempenho das ações entre turnos ocorreu em 2018, ano da eleição de Jair Bolsonaro, com as small caps em alta de 7,64% e o Ibovespa de 4,13%. Em 2022, o Ibovespa subiu 4,09% e as small caps avançaram 3,63%.

O cenário muda ao observar o desempenho dos ativos entre o segundo turno e o fim de cada ano. Os resultados mostram maior dispersão e dependência do ambiente econômico pós-eleição. Em 2002, o Ibovespa acumulou alta de 12,52%. Em 2006, as small caps dispararam 20,32% e o Ibovespa avançou 13,08%. Em contraste, 2010 e 2014 registraram desempenhos mais fracos para a Bolsa. O ano de 2018 voltou a apresentar forte recuperação, com small caps em alta de 10,58% e Ibovespa de 4,88%. Já em 2022, o Ibovespa recuou 4,19% e as small caps caíram 10,84%.

O rali pós-primeiro turno de 2022

O período imediatamente após o primeiro turno das eleições de 2022 foi marcado por uma forte reprecificação dos ativos brasileiros. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno desencadeou um amplo rali em Bolsa, câmbio e juros, impulsionado pela expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e de maior compromisso com o ajuste fiscal. No primeiro pregão após a votação, o Ibovespa disparou 7,7%, ultrapassando os 200 mil pontos pela primeira vez, enquanto o dólar caiu mais de 4%.

Bancos, varejistas e construtoras lideraram os ganhos. Empresas como B3, XP e BTG Pactual avançaram mais de 20%. O mercado interpretou que uma eventual mudança no comando do país poderia reduzir o prêmio de risco brasileiro e aumentar as chances de consolidação fiscal. Segundo o Goldman Sachs, cerca de 85% da valorização do Ibovespa após o primeiro turno foi explicada pela queda dos juros longos.

Otimismo global e foco em ajustes fiscais

Investidores globais estão cada vez mais otimistas com os ativos latino-americanos, com o Brasil como principal aposta. Uma pesquisa do Bradesco BBI com investidores de mercados emergentes aponta uma forte migração para ativos de maior risco, liderada por estrangeiros. O índice proprietário de “ganância versus medo” do banco atingiu o nível mais elevado do ano.

O Brasil é a principal recomendação da região, com investidores focando nos potenciais ajustes fiscais do próximo governo, com uma hipótese realista de ajuste equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB. O BBI mantém visão positiva, destacando valuations atrativos, potencial para novas quedas de juros e fluxo estrangeiro positivo. A Petrobras ultrapassou o Itaú Unibanco como ação favorita entre os investidores consultados.

Apesar do otimismo, a semana que antecedeu o segundo turno trouxe uma acomodação dos ativos, com pesquisas mostrando uma disputa mais apertada. Investidores passaram a realizar parte dos ganhos e reduzir posições mais agressivas, exigindo sinais concretos sobre equipe econômica, propostas fiscais e capacidade de implementação de reformas.

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