Tomate: Clima e área plantada menor elevam preços e volatilidade em 2026

Destaques
- •Preços do tomate registraram alta recorde de 37,76% em setembro de 2026, contrariando a tendência histórica.
- •Redução de 16,3% na área plantada em dois anos e fatores climáticos atípicos explicam a escalada de preços.
- •Expectativa é de manutenção de preços elevados e volatilidade na tomaticultura devido a previsões climáticas desfavoráveis.
O tomate, um dos itens mais sensíveis da cesta básica brasileira, apresentou forte oscilação de preços ao longo de 2026, com destaque para uma alta recorde de 37,76% em setembro, contrariando a tendência histórica de preços mais baixos no segundo semestre. Embora o peso do tomate na inflação geral seja pequeno (entre 0,2% e 0,35%), sua trajetória de preços apareceu em praticamente todos os relatórios mensais do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no período.
A volatilidade, característica da cultura do tomate, foi acentuada em 2026 devido a uma combinação de fatores climáticos e mercadológicos. Segundo João Paulo Deleo, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as temperaturas mais baixas no início do ano retraíram a maturação, enquanto o aumento posterior acelerou a oferta e pressionou os preços. O primeiro semestre de 2026 foi marcado por uma escalada de alta, com o tomate acumulando valorização de mais de 65% até maio.
Oscilações e Inversão de Tendência
Entre setembro e dezembro de 2025, o preço do tomate registrou retrações, influenciando o grupo Alimentação e Bebidas do IPCA com quedas em setembro (-11,52%), novembro (-10,38%) e dezembro (-3,95%). O cenário se inverteu em 2026, com altas sucessivas em janeiro (20,52%), março (20,31%), abril (6,13%) e maio (20,62%).
O alívio veio no meio do ano com a safra de inverno e melhora temporária na produtividade. Em julho, o tomate registrou a maior retração do período (-29,09%), contribuindo para a queda de 1,14% no grupo alimentação no domicílio. O recuo continuou em agosto (-10,94%), mas setembro trouxe a surpresa da alta recorde de 37,76%.
Fatores Climáticos e Redução da Área Plantada
Deleo explica que o movimento atípico de alta em setembro tem justificativas climática e mercadológica. Dias chuvosos e nublados prejudicaram a fotossíntese, gerando frutos de menor calibre e reduzindo o potencial produtivo nas principais regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste. Tradicionalmente, os preços mais altos ocorrem no primeiro semestre devido à entressafra e chuvas, mas em 2026, os valores de setembro e outubro superaram os de maio.
Outro fator crucial foi a redução da área plantada. Nas regiões monitoradas pelo Cepea, as áreas dedicadas ao cultivo de tomate estão em retração pelo segundo ano consecutivo. A estimativa é de uma redução de 5,4% na área em 2026 e de 16,3% em dois anos, pois os produtores vêm reduzindo o cultivo devido a prejuízos em safras anteriores.
Expectativas para o Consumidor
Somados os problemas de produtividade e os atrasos na maturação, os preços do tomate devem se manter em patamares mais elevados, e a volatilidade não deve dar trégua tão cedo. As expectativas climáticas não são positivas: no Sul e Sudeste, prevê-se excesso de chuvas e temperaturas elevadas; no Nordeste e Centro-Oeste, clima mais seco pode aumentar a presença de pragas e temperaturas acima da média.
“A volatilidade deve seguir na tomaticultura. Mas os preços tendem a ficar num patamar mais alto, mas o clima que deve determinar isso”, completa João Paulo Deleo.
Matérias originais
- Tomate desafia padrão histórico de preços e surpreende na inflação de 2026 · cnnbrasil.com.br



