TI no Brasil: homem, 29-48 anos e com renda acima de R$ 10 mil

Destaques
- •Levantamento da Serasa Experian revela o perfil predominante do profissional de TI no Brasil em 2026.
- •A maioria é homem, com idade entre 29 e 48 anos, pertencente à classe B e, em um terço dos casos, com salário superior a R$ 10 mil.
- •O estudo também aponta uma mudança no perfil etário do setor nos últimos anos e destaca a importância da atualização contínua de competências.
Um levantamento inédito da Serasa Experian, divulgado em setembro de 2026, traçou o perfil do profissional de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil. A análise, baseada em 194.775 profissionais identificados na base de dados da companhia, revela que o setor é majoritariamente masculino, com idade entre 29 e 48 anos, pertencente à classe B e, em um a cada três casos, com remuneração mensal superior a R$ 10 mil.
A pesquisa, realizada por meio da plataforma Insights Hub, da área de Marketing Solutions da Serasa Experian, acompanhou a evolução do perfil do setor nos últimos três anos. Os resultados indicam um mercado em constante transformação, tanto nas competências exigidas quanto na composição etária de seus integrantes.
O perfil demográfico e socioeconômico predominante
A faixa etária de 29 a 38 anos concentra 35,8% dos profissionais de TI, seguida de perto pela de 39 a 48 anos, com 35,7%. Juntas, essas duas faixas etárias somam mais de 70% do público analisado. Profissionais entre 49 e 65 anos representam 17,7%, enquanto os mais jovens, de 18 a 28 anos, correspondem a apenas 7,8%.
Em relação ao gênero, 77,4% dos profissionais identificados são homens e 18,5% são mulheres. A classe B é a que mais concentra profissionais de TI, com 55,1% do total, seguida pela classe C (19,1%) e pela classe A (17%).
Mudanças no perfil etário do setor
A comparação histórica dos dados revela uma mudança significativa no perfil etário do setor de TI. Em 2024, os profissionais de 18 a 28 anos representavam 32,2% da base analisada, ocupando a segunda posição. Em 2026, esse grupo encolheu drasticamente para 7,8%. No mesmo período, a participação dos profissionais de 39 a 48 anos saltou de 15,8% para 35,7%.
Letícia Sanchez, gerente-executiva de Recursos Humanos da Serasa Experian, pondera que os dados não devem ser interpretados como uma tendência linear, mas sim como um retrato da diversidade de perfis que coexistem no setor. "Mais do que associar essas variações a uma mudança específica do mercado, os dados nos ajudam a observar a diversidade de perfis que atuam em tecnologia e reforçam que desenvolvimento e atualização são importantes em diferentes momentos da carreira", afirma.
Renda e competências em foco
No recorte de renda, 33,1% dos profissionais de TI recebem acima de R$ 10 mil mensais. Outros 19,6% ganham entre R$ 2.001 e R$ 4 mil, e 15,8% estão na faixa de R$ 4.001 a R$ 6 mil. As faixas salariais de até R$ 2 mil e de R$ 6.001 a R$ 8 mil representam 11,2% e 11,1%, respectivamente.
O levantamento ocorre em um momento de forte transformação para o setor. Relatórios indicam que os investimentos em tecnologia no Brasil podem atingir R$ 2 trilhões entre 2026 e 2029, impulsionados por nuvem e inteligência artificial. Globalmente, competências como IA e big data, redes e cibersegurança, e letramento tecnológico são apontadas como as de crescimento mais acelerado de demanda até 2030.
Desafios e oportunidades para o futuro
Para Letícia Sanchez, o cenário atual exige uma visão que combine domínio técnico e habilidades humanas. "A tecnologia muda rapidamente, mas a construção de uma carreira sustentável na área não depende apenas do domínio de uma ferramenta específica. Conhecimento técnico precisa caminhar junto com pensamento analítico, adaptabilidade, colaboração e disposição para aprender continuamente", explica.
Ela ressalta o desafio para as empresas em criar condições para que esses profissionais atualizem suas competências e enxerguem possibilidades de desenvolvimento à medida que novas tecnologias transformam funções e formas de trabalhar. A própria Serasa Experian investe em desenvolvimento, com mais de 2.900 pessoas em tecnologia e programas de capacitação.



