Liberty Media simplifica estrutura acionária e reduz poder de John Malone

Destaques
- •Liberty Media anuncia fim de classe de ações que dava poder desproporcional a John Malone.
- •O poder de voto do fundador cairá de 48% para cerca de 3% após a recompra de ações.
- •A mudança visa simplificar a estrutura de capital e facilitar o planejamento sucessório de Malone.
A Liberty Media, empresa americana que controla a Fórmula 1 e o campeonato de motovelocidade MotoGP, anunciou nesta quinta-feira (5) o fim de uma classe de ações que concedia ao seu fundador e principal acionista, John Malone, de 85 anos, uma influência desproporcional em relação à sua participação financeira. A operação, solicitada pelo próprio Malone, visa simplificar a estrutura de capital da companhia e auxiliar no planejamento da sucessão patrimonial do bilionário.
Com a mudança, o poder de voto de Malone, que atualmente detém cerca de 48% através de ações de classe B, cairá drasticamente para aproximadamente 3%. Ele deixará o cargo de presidente emérito do conselho, mas permanecerá na empresa como consultor sênior.
Estrutura de ações e o poder de Malone
Anteriormente, a Liberty Media possuía três tipos de ações: classe A (um voto por ação), classe B (dez votos por ação) e classe C (sem direito a voto). Esse modelo permitia que Malone concentrasse grande poder decisório sem deter a maioria do capital. Pelo novo acordo, a empresa recomprará todas as ações da classe B de Malone e entidades ligadas a ele.
Em contrapartida, cada ação da classe B será convertida em 0,26 ação da classe A e 2,34 ações da classe C. Com essa reestruturação, nenhum acionista individual deterá mais de 9% do poder de voto na companhia, aproximando a influência nas decisões da participação financeira efetiva.
Motivações e próximos passos
A decisão também foi motivada pelo recebimento de propostas não solicitadas de terceiros interessados em adquirir as ações da classe B. Um comitê independente foi formado para avaliar a transação. Malone afirmou em comunicado que confia na equipe de gestão da Liberty Media e que a operação permitirá aumentar sua participação econômica e distribuir o poder de voto de forma mais ampla.
A simplificação da estrutura acionária pode tornar a Liberty Media mais atraente para uma eventual venda futura. As ações da empresa registraram alta de cerca de 7,5% nas negociações pré-mercado em Nova York após o anúncio.
Reorganização de negócios de Malone
Esta mudança faz parte de um processo mais amplo de reorganização dos negócios de John Malone, uma figura proeminente nos setores de televisão por assinatura e mídia nos Estados Unidos. Ao longo das décadas, ele construiu participações em diversas empresas, participando recentemente da incorporação da Liberty Broadband pela Charter Communications e apoiando a venda da Warner Bros. Discovery para a Skydance.
Malone também desfez estruturas acionárias ligadas ao desempenho de empresas como Sirius XM e Live Nation, além de separar o time de beisebol Atlanta Braves da Liberty Media. Ele fundou a Liberty Media em 1991, a partir de uma cisão de sua antiga empresa, a Tele-Communications Inc. Sua fortuna é estimada em US$ 11,3 bilhões, com menos de US$ 500 milhões ligados diretamente à Liberty Media, sendo a maior parte concentrada em imóveis e recursos de vendas de participações em mídia e telecomunicações.



