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Tesouro Nacional recompra R$ 16,8 bi em títulos para conter volatilidade

27 de outubro de 2026
Tesouro Nacional recompra R$ 16,8 bi em títulos para conter volatilidade

Destaques

  • •Operação extraordinária visa absorver pressão vendedora e estabilizar taxas de juros após eleições.
  • •Tesouro aceitou recompra de 3,82 milhões de papéis, com taxas entre 7,29% e 7,70% ao ano, mais IPCA.
  • •Medida segue intervenções recentes e busca restaurar confiança no mercado financeiro.

O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira (27) a recompra de R$ 16,8 bilhões em Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação e conhecidos como Tesouro IPCA+. A medida visa conter a volatilidade observada nas taxas dos títulos públicos após o resultado das eleições presidenciais, que gerou incertezas no mercado financeiro.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou a operação, afirmando que a recompra seria realizada conforme as condições de mercado e a necessidade de intervenção do governo federal. Ele classificou as variações como um ajuste natural de expectativas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressando confiança na retomada da "racionalidade de mercado" sem grandes oscilações.

Intervenção para absorver pressão vendedora

A recompra de títulos é uma operação extraordinária em que o Tesouro Nacional compra de volta papéis já em circulação, devolvendo dinheiro ao mercado. Essa ação tem o objetivo de reduzir a pressão vendedora, que tende a elevar as taxas de juros dos títulos de renda fixa. Quando o Tesouro atua como comprador, a demanda aumenta, ajudando a frear a disparada dos juros e a preservar a liquidez dos papéis em momentos de turbulência.

Nesta terça-feira, o Tesouro aceitou a recompra de 3,82 milhões de papéis, de um total de até 4 milhões previstos. Foram recomprados todos os 1 milhão de títulos com vencimentos em 2030 e 2040, além de 895,75 mil de 2035 e 919,7 mil de 2045. As taxas aceitas variaram entre 7,29% e 7,70% ao ano, mais IPCA.

Histórico de intervenções recentes

Esta é a terceira intervenção do Tesouro Nacional em poucos dias. Na segunda-feira (26), o órgão recomprou mais de R$ 14,8 bilhões em títulos públicos, com operações de cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-Fs (prefixados) pela manhã e aproximadamente R$ 7,7 bilhões em NTN-Bs à tarde. Os volumes recomprados ficaram abaixo dos tetos previstos nos editais.

O cancelamento de leilões regulares de títulos também tem sido uma estratégia. Em paralelo à recompra de NTN-Bs nesta terça-feira, o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento do leilão regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), conhecidas como Tesouro Selic, previsto para o mesmo dia. As LFTs são títulos públicos de renda fixa indexados à taxa básica de juros da economia.

Impacto no mercado e o que esperar

A volatilidade observada nas taxas e preços dos títulos públicos após o resultado eleitoral levou à paralisação da plataforma Tesouro Direto em alguns momentos, com o Ibovespa acionando o circuit breaker. A alta nas taxas de juros de títulos prefixados e indexados à inflação fez com que o valor de papéis já existentes na carteira de investidores caísse significativamente na marcação a mercado.

Analistas apontam que, sem um ajuste fiscal crível e medidas concretas para enfrentar a situação fiscal, os juros reais de longo prazo devem permanecer altos. Há expectativa de que o Banco Central tenha menos espaço para baixar a taxa Selic de forma agressiva, e o câmbio também pressiona a inflação. O próximo passo a ser observado é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e os sinais do governo sobre a condução das contas públicas.

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