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Tesouro Direto: alta de juros após eleição de Lula é a maior da série histórica

28 de outubro de 2026
Tesouro Direto: alta de juros após eleição de Lula é a maior da série histórica

Destaques

  • •Taxa do Tesouro Prefixado 2026 atingiu 15,78% após reeleição de Lula, a maior variação em um dia desde 2004.
  • •O episódio se compara a crises como a financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19, com o Tesouro cancelando leilões e anunciando recompra de títulos.
  • •Próximos passos dependem da composição da equipe econômica e da agenda fiscal do novo governo.

A reeleição do presidente Lula na segunda-feira (26) provocou a maior alta nos juros do Tesouro Direto da série histórica, iniciada em dezembro de 2004. O título Tesouro Prefixado com vencimento em 2026 registrou a maior variação diária, com a taxa subindo 2,88 pontos percentuais, atingindo 15,78% ao ano. A plataforma do Tesouro Direto reabriu às 12h13, após o resultado das eleições, e o título fechou o dia negociado a 15,50% ao ano, com as taxas recuando ao longo da tarde.

O movimento se insere em um contexto de alta volatilidade nos mercados financeiros, comparável a outros episódios marcantes como a crise financeira global de 2008, a pandemia de Covid-19 e o chamado Joesley Day. Em momentos de forte instabilidade, é comum que o Tesouro Nacional cancele leilões de títulos e realize operações de recompra, e que o Banco Central intervenha no mercado de câmbio. No caso da reeleição de Lula, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a semana e anunciou duas operações de recompra.

Os dias de maior volatilidade nos juros do Tesouro Direto

A série histórica do Tesouro Direto, que considera apenas dados desde dezembro de 2004, lista os dias de maior avanço nas taxas de juros. A eleição de Lula em 2022 ocupa o primeiro lugar, seguida pela pandemia de Covid-19 em março de 2020 (2,06 pontos de alta para o prefixado) e pela crise financeira global de 2008 (1,88 ponto).

Outros episódios que figuram na lista incluem o Joesley Day em 2017 (1,86 ponto), a crise das hipotecas nos EUA em 2007 (1,13 ponto), incertezas com precatórios e a alta da Selic em 2021 (0,99 ponto), receios com a tramitação de cortes de gastos em 2024 (0,97 ponto), a eleição de Donald Trump em 2016 (0,78 ponto) e um discurso na transição em 2022 (0,76 ponto).

O critério de comparação leva em conta a variação entre as taxas de abertura de dois pregões consecutivos, focando no título prefixado com maior alta no dia e com vencimento superior a um ano. Títulos de prazo mais longo são mais sensíveis à volatilidade, pois a alta dos juros afeta mais seus preços na marcação a mercado, embora a perda só se concretize para quem vende antes do vencimento.

O que aconteceu em cada episódio de alta de juros

A alta de 2,88 pontos após a reeleição de Lula reflete a incerteza do mercado quanto à condução da política econômica e fiscal do novo governo. O discurso do presidente eleito questionando a prioridade dada ao controle das contas públicas em novembro de 2022, por exemplo, já havia gerado volatilidade.

A pandemia de Covid-19, em março de 2020, causou pânico nos mercados globais. No Brasil, a Bolsa acionou vários circuit breakers, o dólar disparou e o Banco Central reduziu a taxa Selic a níveis historicamente baixos. A crise financeira global de 2008, desencadeada pela quebra do banco Lehman Brothers, também provocou quedas acentuadas na Bolsa e alta do dólar, mesmo com intervenções do Banco Central.

O Joesley Day, em maio de 2017, após a divulgação da gravação de conversa entre o então presidente Michel Temer e Joesley Batista, gerou forte instabilidade política e econômica, com queda expressiva da Bolsa e alta do dólar. A crise das hipotecas subprime nos EUA, em 2007, também se espalhou para outros mercados, afetando o Ibovespa e o câmbio no Brasil.

Em 2021, incertezas em torno da PEC dos precatórios e a alta da Selic pelo Copom, considerada insuficiente pelo mercado, levaram o Tesouro Direto a suspender negociações. Já em 2024, receios com a trajetória das contas públicas e a tramitação de medidas de contenção de gastos pressionaram o dólar a recordes e levaram o Banco Central a realizar grandes intervenções no câmbio.

Próximos passos e o que esperar do mercado

A volatilidade observada após a reeleição de Lula é um reflexo da cautela do mercado em relação à futura política econômica. Os próximos passos dependerão da composição da equipe econômica que será anunciada pelo novo governo e da clareza sobre a agenda fiscal, incluindo medidas para controle do déficit público e a trajetória da dívida.

A forma como o governo irá conciliar as promessas de campanha com a necessidade de responsabilidade fiscal será crucial para determinar o comportamento dos juros, do câmbio e da Bolsa nos próximos meses. Investidores e analistas acompanharão de perto as sinalizações do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda.

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