Tarifas EUA fecham fábrica no Canadá e ameaçam cidade

Destaques
- •Paralisação da fábrica da RYAM em Témiscaming, Quebec, deixa 360 funcionários desempregados devido a tarifas impostas pelos EUA.
- •Moradores buscam recomprar a fábrica, inspirados por um movimento similar nos anos 70, mas dependem de apoio governamental.
- •A cidade enfrenta o risco de se tornar uma 'cidade fantasma' se a fábrica não reabrir, com o futuro incerto até a chegada do inverno.
A fábrica de papel da RYAM em Témiscaming, Quebec, principal empregador da cidade e pilar econômico há mais de um século, foi paralisada por tempo indeterminado no início de outubro. A decisão, que afeta cerca de 360 funcionários, é resultado direto do fracasso nas negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos e da imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump. A paralisação ameaça o futuro da cidade, que foi construída em torno da fábrica e de suas florestas.
Impacto na vida dos moradores
Para muitos em Témiscaming, a fábrica representa mais do que um emprego; é um modo de vida. A perda do sustento levanta temores de que profissionais de serviços essenciais deixem a cidade, transformando-a em uma "cidade fantasma". O valor dos imóveis já despencou, e placas de "Vende-se" se multiplicam. Moradores como Nadine Suley expressam a sensação de um "ataque pessoal" com as tarifas impostas pelos EUA.
A guerra comercial e seus focos
Embora a economia canadense tenha resistido em geral à guerra comercial, setores como aço, alumínio, automóveis e, no caso de Témiscaming, madeira, celulose e papel, sofrem diretamente com tarifas americanas de até 50%. O prefeito Alain Gauthier descreve as tarifas como "uma bomba destinada a acabar com nossa produção industrial no Canadá" e critica a falta de medidas de retaliação mais contundentes por parte do governo federal.
Esperança em um passado de sucesso
Trabalhadores e moradores buscam repetir um feito histórico: em 1973, diante de uma ameaça similar de fechamento, funcionários e gestores locais se uniram para comprar a fábrica, transformando-a na Tembec. Agora, uma coalizão de moradores tenta recomprar a fábrica da RYAM, adquirida em 2017. O líder sindical Stéphane Lefebvre, cujo pai e avô também trabalharam na fábrica, reconhece a dificuldade, mas afirma: "Esperamos que o raio caia duas vezes no mesmo lugar".
Apoio governamental e próximos passos
A viabilidade da recompra depende de ajuda significativa do primeiro-ministro Mark Carney e do governo de Quebec, seja por meio de alívio tarifário ou apoio financeiro. O governo federal já disponibilizou C$ 400 milhões para o setor florestal e lançou programas de capital de giro para empresas afetadas. A RYAM não comentou a possibilidade de venda. Os moradores depositam esperanças nas eleições de meio de mandato nos EUA para pressionar Trump a reduzir as tarifas. A urgência aumenta com a proximidade do inverno, quando temperaturas baixas podem danificar equipamentos paralisados.



