Suzano projeta forte geração de caixa no 4º trimestre com preços de celulose e câmbio favoráveis

Destaques
- •Suzano espera forte geração de caixa no quarto trimestre, impulsionada por preços favoráveis da celulose e câmbio mais alto.
- •A empresa manterá a estratégia de limitar a produção de celulose em cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal.
- •Analistas do Citi mantêm recomendação de compra para a ação da Suzano, destacando a exposição ao câmbio, mas reduziram o preço-alvo.
A Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, projeta uma forte geração de caixa no quarto trimestre de 2023, superando o desempenho do trimestre anterior. A expectativa é impulsionada por um cenário de preços favoráveis para a celulose, sazonalidade e a valorização do câmbio.
"Estamos esperando geração de caixa muito forte para o quarto trimestre, vemos cenário construtivo para preço de celulose e o câmbio está mais alto", afirmou o vice-presidente financeiro da companhia, Marcos Assumpção, em entrevista a jornalistas.
Estratégia de Produção e Desalavancagem
Apesar do cenário positivo, a Suzano deve manter a política de limitar sua produção de celulose de mercado em aproximadamente 3,5% abaixo da capacidade nominal, que é de cerca de 13,5 milhões de toneladas por ano. A decisão se baseia na avaliação de que o custo de produção marginal ainda não justifica a utilização plena da capacidade.
"Com as condições de mercado que estamos vendo hoje…não vemos motivo para mudarmos essa estratégia. O foco é termos retorno em cada tonelada marginal produzida", explicou Assumpção.
O presidente-executivo da Suzano, João Alberto Abreu, informou que a desalavancagem da empresa deve começar de forma estruturada após a aquisição dos ativos de papel tissue da Kimberly-Clark e a formação da joint-venture Arbex. A companhia encerrou setembro com alavancagem financeira de 3,7 vezes em dólares, acima das 3,3 vezes do ano anterior, com a dívida líquida subindo de US$12,9 bilhões para US$14,7 bilhões.
"A expectativa é fechar o ano com dívida líquida abaixo de US$14 bilhões", disse Abreu, antecipando que o quarto trimestre será "o melhor do ano" para a Suzano.
Impactos Climáticos e Cenário Político
A companhia está reforçando sua estrutura de combate a incêndios na unidade de Imperatriz (MA) devido à seca causada pelo El Niño. No Mato Grosso do Sul, o excesso de chuva tem gerado desafios logísticos, mas deve beneficiar a produtividade florestal a longo prazo. Abreu ressaltou que esses custos não são materiais para os resultados.
Em relação ao cenário político, Abreu comentou que o governo precisa adotar medidas para que o país retome a tendência de corte da Selic, que foi interrompida com a decisão do Banco Central de manter a taxa de juros em 13,75% ao ano. "O resultado da eleição traz mais volatilidade cambial, o que não é bom para o país… Tudo vai depender da política fiscal que esse governo venha adotar. Ações precisam ser tomadas.", afirmou.
Análise de Mercado e Preços-Alvo
Os analistas Gabriel Barra e Pedro de Mello, do Citi, mantiveram a recomendação de compra para as ações da Suzano, considerando a empresa um "nome defensivo" após as eleições. No entanto, reduziram o preço-alvo de R$65 para R$52, citando cautela com a trajetória dos preços de celulose no médio prazo. Ainda assim, a exposição da Suzano ao câmbio a torna "um dos nomes preferidos" da cobertura do banco.
A ação da Suzano (SUZB3) subia 0,36% no pregão da sexta-feira (6), cotada a R$52,45, enquanto o Ibovespa apresentava alta de 1,5%.



