Reforma Tributária: Mais da metade dos contadores brasileiros está na fase inicial de adaptação

Destaques
- •Apenas 8% dos escritórios contábeis brasileiros iniciaram o cálculo de custos para a Reforma Tributária, que tem novas etapas a partir de 2027.
- •A maioria dos profissionais aponta falta de tempo, incerteza regulatória e concorrência com outras prioridades como principais entraves para a adaptação.
- •A demanda por serviços especializados e ferramentas tecnológicas, como IA e simulação tributária, deve crescer com a complexidade das novas regras.
Menos de dois meses antes de novas etapas da Reforma Tributária entrarem em vigor em 2027, mais da metade dos profissionais contábeis brasileiros (52,9%) ainda se encontra nos estágios iniciais de preparação. O dado é da terceira edição do relatório Reforma Tributária do Brasil 2026, do Thomson Reuters Institute, que entrevistou 577 profissionais. Apenas 8% dos escritórios começaram a calcular os custos necessários para implementar as novas regras.
O levantamento aponta uma lacuna entre a percepção da urgência da reforma e as ações concretas. Cerca de 74% dos contadores afirmam que seus escritórios ainda não formaram grupos de trabalho ou comitês internos para estudar as mudanças. Os principais obstáculos citados são a falta de tempo e a concorrência com outras prioridades (36,8%), seguidos pela incerteza sobre a regulamentação (27,3%).
Custos e fluxo de caixa sob pressão
A adaptação à reforma exige revisão de sistemas contábeis, processos internos e projeções financeiras. Apesar da proximidade das novas etapas, 70% dos profissionais indicam que seus escritórios ainda não estimaram os custos da transição. Outros 23% declaram não ter intenção de fazer essa estimativa. A preocupação se estende às finanças dos clientes: 51% dos entrevistados preveem uma redução moderada ou significativa no fluxo de caixa dos clientes, enquanto 26% esperam um aumento.
Um dos fatores de pressão é o mecanismo de ‘split payment’, que prevê a separação dos tributos no momento da transação comercial. Com essa mudança, os valores referentes à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) deixarão de permanecer temporariamente no caixa das empresas. Isso pode impactar os recursos disponíveis para o capital de giro, exigindo que escritórios e companhias antecipem os efeitos da nova sistemática em suas operações e projeções financeiras.
Tecnologia como aliada na adaptação
A complexidade das mudanças na tributação deve impulsionar a demanda por serviços especializados. Para 73% dos profissionais ouvidos, a procura por esse tipo de trabalho tende a crescer, com 49% esperando uma expansão significativa. Contudo, apenas 17% acreditam que a reforma simplificará as atividades contábeis; 55% preveem um aumento da complexidade.
Nesse cenário, 85,2% dos contadores demonstram interesse em ferramentas de simulação e cálculo tributário. Além disso, 54,1% buscam recursos de inteligência artificial (IA) para responder a dúvidas sobre a reforma. A necessidade de incorporar tecnologia à rotina é acompanhada pela pressão por capacitação das equipes: 78,7% consideram o treinamento interno essencial para a transição.
Marcondes de Borba, líder da Domínio Solutions na Thomson Reuters, ressalta que a operação manual já não é suficiente. “Com dois sistemas fiscais operando em paralelo, a rotina contábil não se sustenta mais de forma manual ou olhando apenas para o passado”, afirma. Segundo ele, a tecnologia assume um papel estratégico na análise de dados e na simulação de cenários, auxiliando escritórios a orientar clientes sobre fluxo de caixa, margens e formação de preços.



