Startups brasileiras enfrentam alto custo para empreender, diz especialista

Destaques
- •Jovem brasileiro é desencorajado a empreender devido ao alto custo do capital e punição severa ao erro.
- •Diferente da Suécia, onde o fracasso é visto como aprendizado, no Brasil a quebra pode comprometer a vida familiar.
- •Especialista sugere que o Brasil perde potenciais 'Legoras' por um sistema que inibe a inovação e o risco.
O ecossistema de startups no Brasil enfrenta um desafio significativo em comparação com países como a Suécia: o alto preço do fracasso para o empreendedor. Enquanto startups suecas como a Legora alcançam valuations bilionários rapidamente, com a fundação em 2023 e já valendo US$ 8,8 bilhões, o Brasil, apesar de ter talentos como a Enter (primeiro unicórnio de IA da América Latina), vê seus empreendedores hesitando em arriscar.
A diferença fundamental reside na estrutura de incentivos e na percepção do risco. Na Suécia, jovens de classe média, após a faculdade, veem o empreendedorismo como uma tentativa razoável de melhorar de vida, amparados por juros baixos, capital disponível e uma rede de segurança que minimiza o impacto do fracasso. Quebrar na Suécia é visto como um diferencial no currículo, uma experiência valiosa que atrai investidores e empregadores. O autor, que viveu essa realidade, relata que seus projetos fracassados foram exatamente o que os suecos valorizaram em sua contratação.
O Custo do Erro no Brasil
No Brasil, o cenário é drasticamente diferente. O jovem é instruído a buscar e manter um emprego estável, arriscando o mínimo possível. O capital é caro e escasso, e o erro é severamente punido. A quebra de uma startup pode significar não apenas o fim do sonho empreendedor, mas também o comprometimento financeiro da família inteira. Essa realidade transforma o empreendedorismo em uma aposta de risco muito maior, desencorajando muitos talentos a sequer tentar.
A classe alta brasileira pode empreender, mas não é uma necessidade, e na base, o empreendedorismo é muitas vezes de necessidade (MEIs, pequenos comerciantes), admirável, mas que não gera empresas de escala global. O talento de ponta, que poderia criar unicórnios como a Legora, é retido por um sistema que prioriza a estabilidade e pune a tentativa.
Diferenças Estratégicas e de Escala
Outro ponto de divergência é a estratégia de mercado. Startups suecas, por nascerem em um mercado pequeno, já são projetadas para escalar globalmente desde o início, buscando mercados como Reino Unido, Alemanha e EUA. Isso gera maior confiança dos investidores e múltiplos de valuation mais altos. No Brasil, o mercado interno é tão vasto que unicórnios como Nubank e QuintoAndar só buscaram expansão internacional após consolidarem-se internamente, o que pode limitar sua ambição global inicial.
Apesar de a Suécia ter suas próprias burocracias, conseguiu criar um ambiente favorável para startups de tecnologia, onde o empreendedor é admirado. O autor aponta que o traço cultural sueco de autonomia, que acelera o início dos negócios, pode gerar atrito na fase de escala, quando a liderança de pessoas se torna crucial. É nesse ponto que a experiência brasileira, de liderar com recursos escassos e alta pressão, pode ser valiosa para startups suecas buscando expansão.
O Potencial da Ponte Brasil-Suécia
O Brasil representa um mercado atraente para startups suecas devido ao seu tamanho, digitalização e rápida adoção de tecnologia. Mais importante, o país oferece um ambiente onde os fundadores brasileiros desenvolveram habilidades essenciais em liderança e gestão sob pressão, algo que pode complementar a expertise sueca. Para o fundador brasileiro, a Suécia serve como prova de que o talento não é o problema, mas sim o sistema que precifica o erro de forma proibitiva.
A questão que permanece é quantas empresas inovadoras, como a Legora, o Brasil já perdeu para a escolha racional de um emprego estável, devido a um sistema que desencoraja o risco e pune o fracasso de forma tão severa.
Matérias originais
- Startups suecas erram barato. As brasileiras pagam caro · startups.com.br


