Laika lança "O Bosque Selvagem", animação em stop-motion mais ambiciosa e bem avaliada do estúdio

Destaques
- •"O Bosque Selvagem" estreia com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, tornando-se o filme mais bem avaliado da Laika.
- •Produção levou cinco anos e contou com 142 mil rostos substituíveis e 728 árvores artesanais para criar seu universo.
- •Filme é cotado para o Oscar 2027 de Melhor Animação e aborda temas como amor, perda e as consequências das escolhas humanas.
A Laika, estúdio conhecido por obras como "Coraline" e "Paranorman", lança nesta quinta-feira (29) nos cinemas brasileiros "O Bosque Selvagem", seu filme em stop-motion mais ambicioso até o momento. Dirigido por Travis Knight, a produção chega às telonas com impressionantes 99% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, superando todos os filmes anteriores do estúdio e despontando como um forte concorrente ao Oscar 2027 de Melhor Animação.
A grandiosidade do filme é resultado de um processo de produção que se estendeu por mais de uma década, exigindo o trabalho de centenas de profissionais para transformar uma história de fantasia em um universo inteiramente artesanal. O animador brasileiro Thiago Calçado e os dubladores Giulia Benite e Pedro Bugarelli compartilharam com a CNN Brasil os desafios e as reflexões provocadas pela obra.
Um projeto de longa gestação e evolução técnica
A ideia de levar "O Bosque Selvagem" para as telas surgiu quando Travis Knight teve contato com o manuscrito ainda inacabado da obra de Colin Meloy. O principal obstáculo era a própria dimensão da história, com cenários grandiosos e sequências complexas de ação que demandavam recursos técnicos que ainda não estavam disponíveis para o stop-motion na época.
O projeto permaneceu em desenvolvimento por anos, enquanto a Laika aprimorava suas técnicas em outras produções. Os primeiros storyboards foram elaborados em 2018, a pré-produção iniciou em 2020, e as filmagens começaram oficialmente em 2021. Ao todo, foram 231 semanas de produção, totalizando cerca de cinco anos de trabalho.
Thiago Calçado, que já trabalhou com Knight em "Kubo e as Cordas Mágicas", destacou o avanço significativo para a técnica de animação. "É o maior filme de stop-motion feito até hoje. Em termos de evolução da técnica, são muitas cenas de ação, perseguição, explosão. É um filme muito rico visualmente, com vários personagens; é o filme mais longo de stop-motion", afirmou.
Números impressionantes e desafios na dublagem
A ambição de "O Bosque Selvagem" se reflete em números expressivos. A equipe construiu 132 cenários físicos, representando 117 locações diferentes. A floresta que dá nome ao filme conta com 728 árvores artesanais, inspiradas em dez espécies do noroeste dos Estados Unidos. No stop-motion, onde cada detalhe exige precisão, foram utilizados 233 bonecos e produzidos 142.030 rostos substituíveis para expressar as diferentes emoções dos personagens.
As filmagens ocuparam 112 palcos em uma área superior a 14 mil metros quadrados, resultando em 2.804 planos na versão definitiva. Com 132 minutos de duração, "O Bosque Selvagem" detém o título de longa-metragem em stop-motion mais extenso já realizado.
Para Giulia Benite, dubladora da protagonista Prue McKeel, a dimensão do trabalho só se tornou clara ao assistir ao resultado final. "Uma animação, feita em stop-motion, que levou 5 anos para filmar, é mais do que merecido receber esse reconhecimento", disse. Pedro Bugarelli, dublador de Curtis Mehlberg, ressaltou a complexidade da dublagem em stop-motion, especialmente na sincronização com os movimentos da boca dos bonecos, tornando o processo "mais interessante".
Temas profundos e potencial para premiações
Além da aventura visual, "O Bosque Selvagem" aposta em uma história profundamente emocional, explorando temas como amor, luto e os limites das decisões humanas. A trama acompanha a jovem Prue em uma jornada por uma floresta misteriosa para resgatar seu irmão, encontrando criaturas fantásticas, aliados e adversários.
Pedro Bugarelli destacou como o filme apresenta diferentes perspectivas sobre o luto, tanto da protagonista quanto da vilã. Giulia Benite chamou atenção para o contraste entre as motivações dos personagens, mostrando como sentimentos semelhantes podem levar a atitudes distintas, dependendo das escolhas de cada um. "É literalmente o ser humano", analisou.
A recepção positiva da crítica internacional, com elogios de publicações como Variety e The Hollywood Reporter, reforça as expectativas para a temporada de premiações de 2027. Todos os cinco longas-metragens anteriores da Laika foram indicados ao Oscar de Melhor Animação, e "O Bosque Selvagem" surge como um forte candidato a manter essa tradição.
Matérias originais
- “O Bosque Selvagem”: filme levou 5 anos e pode ser destaque no Oscar 2027 · cnnbrasil.com.br


