Startup Warhound capta US$ 200 milhões para cães geneticamente editados para missões militares

Destaques
- •A Warhound, startup de Ben Lamm e Palmer Luckey, levantou US$ 200 milhões para desenvolver cães com edição genética para fins militares.
- •A tecnologia visa aprimorar características como saúde, velocidade e olfato, com o objetivo de criar um 'novo tipo de cachorro' para tarefas perigosas.
- •Os primeiros nascimentos são esperados para o início de 2025, com entrada em serviço prevista para até dois anos depois.
A startup Warhound, focada no desenvolvimento de cães geneticamente editados para missões militares, anunciou nesta quinta-feira (22) a captação de US$ 200 milhões em uma nova rodada de investimentos. A empresa, que combina edição genética e clonagem, foi avaliada em US$ 1,2 bilhão. Entre os investidores estão nomes como Sequoia, 8VC, Corner Ventures e a In-Q-Tel, braço de venture capital ligado a agências de inteligência americanas, incluindo a CIA.
Por trás da Warhound estão Ben Lamm, CEO da Colossal Biosciences (conhecida por projetos de "desextinção"), e Palmer Luckey, fundador da Anduril, empresa de tecnologia de defesa. A ideia surgiu após Luckey defender a necessidade de melhorias para cães militares. Lamm explicou que muitos cães falham no treinamento devido a predisposições genéticas a problemas de saúde como visão ruim, câncer e displasia.
Aprimoramento genético para desempenho militar
A proposta da Warhound é utilizar a tecnologia da Colossal para criar cães com características otimizadas para missões exigentes. O objetivo é melhorar a saúde e a longevidade dos animais, além de aprimorar atributos como velocidade, agilidade e a capacidade olfativa para detecção de explosivos.
A equipe da startup estudou raças como o pastor-belga malinois e o pastor-alemão, consideradas de alto desempenho em trabalho. Linhagens celulares desses animais foram coletadas e armazenadas em um biobanco. A partir dessas células, os cientistas irão editar genes, introduzindo aqueles que melhoram o desempenho e removendo os que causam problemas de saúde, visando criar um "novo tipo de cachorro".
Cães e tecnologia de defesa
Os cães desenvolvidos pela Warhound deverão assumir tarefas consideradas perigosas demais para humanos ou complexas para máquinas, como detecção de bombas e operações de busca e resgate especializadas. A Anduril, de Palmer Luckey, contribuirá com hardware e software, incluindo coletes à prova de balas equipados com sensores. Esses dispositivos visam aumentar a consciência situacional e a coordenação dos cães em campo, além de fornecer dados aos tratadores.
"A ideia é: se a gente deixar o cachorro mais seguro, mais saudável e com melhor desempenho, ele vai render mais em serviço", afirmou Ben Lamm. Ele destacou que a contribuição da Anduril se concentra em equipamentos "em cima do cachorro, não dentro dele", com o objetivo de proteger tanto os animais quanto os tratadores humanos.
Próximos passos e cronograma
A Warhound está prestes a iniciar a clonagem e incubação do primeiro lote de cães, um processo que conta com a expertise da Viagen, outra empresa associada à Colossal. A tecnologia de clonagem da Viagen tem demonstrado altas taxas de sucesso e já é aplicada em programas de conservação de espécies ameaçadas.
Os primeiros nascimentos dos cães geneticamente editados estão previstos para o início de 2025. Em um cenário ideal, a entrada desses animais em serviço militar deve ocorrer em até dois anos após o nascimento, ou seja, até o final de 2026.
Matérias originais
- Com aporte de US$ 200M, Warhound quer pôr cães “tunados” na guerra · startups.com.br


