Solo Network adquire participação majoritária na Planeje para expandir negócios de data centers

Destaques
- •Solo Network anuncia aquisição da Planeje, criando vertical de infraestrutura para data centers de pequeno e médio porte.
- •Grupo investirá R$ 10 milhões inicialmente e até R$ 50 milhões a partir de 2027 para expansão e novos projetos.
- •A operação visa consolidar a Solo Network como uma das principais players no segmento de data centers de pequeno e médio porte no Brasil.
A Solo Network anunciou a aquisição de participação majoritária na Planeje, empresa especializada em engenharia, infraestrutura e construção de data centers. A operação visa criar uma nova vertical dentro do grupo focada em infraestrutura crítica, permitindo a execução de projetos completos de data centers de pequeno e médio porte em todo o Brasil. A aquisição ocorre em um momento de expansão para a Solo Network, que fechou 2025 com faturamento de aproximadamente R$ 800 milhões, impulsionada por suas verticais de serviços em nuvem e cibersegurança. O grupo foi reconhecido pelo Financial Times como uma das empresas de maior crescimento nas Américas.
Nova vertical de infraestrutura crítica
Com a aquisição, a Solo Network passa a atuar diretamente na cadeia de infraestrutura física para data centers. A Planeje manterá sua marca e estrutura operacional, com Eduardo Silveira, sócio da empresa, permanecendo como executivo responsável pelas áreas Comercial e Operações. A Planeje possui 32 profissionais e estima oportunidades comerciais em R$ 200 milhões, com previsão de faturamento de cerca de R$ 30 milhões.
A estratégia do grupo é atender à crescente demanda por capacidade computacional, impulsionada por inteligência artificial, nuvem e digitalização. "Nossa decisão foi participar de forma direta da cadeia de infraestrutura e trazer para dentro do grupo a engenharia e a construção de data centers", afirmou João Paulo Costa Pereira, CEO da Solo Network.
Investimento e expansão da Planeje
Na primeira fase, a Solo Network destinará cerca de R$ 10 milhões para capital de giro e expansão comercial da Planeje. A partir de 2027, o grupo poderá investir até R$ 50 milhões ao longo de três anos para a execução de novos projetos, conforme a demanda e a contratação por clientes. A meta inicial é dobrar o faturamento da Planeje já em 2027.
Os recursos adicionais visam fortalecer a operação comercial e financeira da Planeje, permitindo que a empresa assuma projetos de maior porte. "A Planeje já tem conhecimento técnico, equipe especializada, relacionamento com o mercado e uma carteira de oportunidades. A entrada da Solo traz o capital necessário para assumirmos mais projetos ao mesmo tempo e ampliarmos nossa capacidade de execução", explicou Silveira.
Complementaridade com a Envolve
A operação também aproxima a Planeje da Envolve Ambientes Seguros, outra empresa do grupo que fabrica painéis, portas, salas seguras e data centers modulares e em contêineres. A fábrica da Envolve tem capacidade para atender até 25 data centers por ano. A combinação das duas empresas cria uma cadeia complementar, onde a Planeje cuida da engenharia e construção, e a Envolve fornece componentes e estruturas.
"Temos capacidade de engenharia, fabricação de componentes críticos e, agora, capital para a execução, o que nos permite controlar uma parcela maior da cadeia e melhorar prazos, qualidade e previsibilidade financeira dos projetos", destacou Pereira. A Solo Network pretende transformar essa estrutura em uma das principais operações do país no segmento de data centers de pequeno e médio porte.
Um estudo publicado na Revista DCS em 2026, intitulado "O impacto da Inteligência Artificial na infraestrutura física: desafios energéticos e a modernização dos centros de dados", aponta que a rápida expansão da inteligência artificial generativa está transformando o consumo energético global. Consultas a modelos de IA consomem aproximadamente 10 vezes mais energia que buscas tradicionais na internet, e racks de equipamento de IA demandam 20 vezes mais energia que infraestrutura convencional de datacenters. Projeções indicam que até 2027 a IA poderá consumir energia equivalente à Holanda, e datacenters consumirão 8% da energia dos EUA até 2030. O estudo ressalta desafios críticos de resfriamento e consumo hídrico, concluindo que a IA representa um desafio sem precedentes para a sustentabilidade energética global.

