Socialistas ganham força nos EUA com candidatos em eleições de meio de mandato

Destaques
- •Candidatos socialistas, apoiados pelo DSA, concorrem em mais de uma dezena de disputas nas eleições de meio de mandato nos EUA.
- •O movimento, que ressurgiu em 1982 com o DSA, viu seu número de membros crescer de 6 mil para 150 mil, impulsionado por figuras como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez.
- •O desempenho dos candidatos socialistas será um teste para o DSA e o Partido Democrata, especialmente em estados conservadores onde o termo 'socialismo' ainda carrega forte conotação negativa.
Aproximando-se as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, candidatos com viés progressista e socialista ganham destaque, com potencial para recuperar o controle do Congresso para os democratas. Este movimento, que esteve adormecido por décadas, tem visto um renascimento notável.
A ascensão do socialismo nos EUA remonta a mais de um século, com figuras como Eugène Debs e a fundação do Partido Socialista da América (PSA) em 1901. Embora o PSA não tenha tido sucesso eleitoral direto, suas ideias influenciaram políticas como o "New Deal" de Franklin Roosevelt. No entanto, o macarthismo e a Guerra Fria levaram à perseguição e ao desmantelamento do partido.
O renascimento do movimento socialista
O movimento socialista moderno nos Estados Unidos ressurgiu em 1982 com a fundação do Democratic Socialists of America (DSA). Diferente de um partido tradicional, o DSA é uma organização cujos membros se candidatam sob a legenda democrata, defendendo pautas como cobertura universal de saúde e tributação de grandes fortunas e empresas.
A figura de Bernie Sanders, embora não seja membro oficial do DSA, foi crucial para dar novo fôlego ao movimento. Sua campanha presidencial em 2016 apresentou o socialismo de forma positiva, atraindo muitos jovens e impulsionando o crescimento do DSA. O número de membros saltou de 6 mil para cerca de 150 mil em dez anos.
Candidaturas e desafios eleitorais
Atualmente, cerca de 131 candidaturas contam com o apoio do DSA para as eleições de 3 de novembro. Esse crescimento é atribuído, em parte, ao período do "trumpismo", ao distanciamento do Partido Democrata de sua base e a fatores como o alto custo de vida, desigualdades e violência policial.
Candidatos como Zohran Mamdani, eleito prefeito de Nova York em 2025, e deputadas como Rashida Tlaib e Alexandria Ocasio-Cortez são expoentes desse movimento. Nas próximas eleições, o DSA apoia candidaturas em mais de uma dezena de disputas, incluindo para o Congresso e prefeituras como Los Angeles e Washington.
No entanto, estas eleições representam um teste significativo. Uma vitória em Nova York não garante o mesmo sucesso em estados republicanos, como a Flórida, onde o termo "socialismo" ainda evoca a imagem negativa da década de 1940. Republicanos e Donald Trump têm explorado essa narrativa, tentando associar os candidatos democratas ao "fantasma do comunismo".


