Doença em aves em SC não deve afetar exportações de frango, diz especialista
Destaques
- •Três focos de Doença de Newcastle em Santa Catarina foram registrados, mas especialistas apontam que a regionalização dos embargos pode minimizar impactos nas exportações brasileiras.
- •Embora México e Malásia tenham proibido importações nacionais, China, Rússia e Chile restringiram apenas a Santa Catarina, e outros 12 países aceitaram a regionalização municipal.
- •Perspectivas para exportações de frango seguem otimistas, com crescimento de 15% nos embarques diários médios em outubro, desde que novos casos não surjam em áreas distantes.
As perspectivas para as exportações brasileiras de carne de frango permanecem favoráveis, mesmo com o registro de três focos da Doença de Newcastle em Santa Catarina. Especialistas avaliam que a rápida contenção e a estratégia de regionalização dos embargos sanitários por parte dos países importadores devem minimizar os impactos negativos para o setor, que é o maior exportador global do produto.
O Ministério da Agricultura reportou o terceiro caso da doença viral, altamente contagiosa entre aves, em granjas de perus localizadas em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim. As três cidades estão situadas em um raio de aproximadamente 20 km, o que facilita a contenção e a aplicação de medidas sanitárias localizadas.
Regionalização de embargos minimiza impacto
A estratégia de regionalização adotada por importantes importadores tem sido crucial para evitar interrupções significativas nos embarques. Segundo o especialista Wagner Yanaguizawa, do Rabobank, acordos de regionalização devem impedir que os embargos afetem a totalidade das exportações brasileiras.
Ele destacou que, até o momento, apenas o México e a Malásia impuseram proibições em nível nacional. Outros mercados relevantes como China, Rússia e Chile restringiram as compras apenas do Estado de Santa Catarina. Uma lista extensa de países, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Reino Unido, Argentina, África do Sul, Egito, Canadá, Turquia e Vietnã, aceitaram a regionalização em nível municipal.
O setor avícola brasileiro tem experiência em redirecionar seus embarques para áreas não incluídas nos embargos sanitários, uma prática que minimiza perdas financeiras em situações como esta.
Crescimento nas exportações e sistema de vigilância
Apesar da situação sanitária, os dados preliminares de exportação de outubro indicam um cenário positivo. Os embarques diários médios cresceram 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com os primeiros anúncios de embargos a partir de 18 de outubro, data da detecção do primeiro foco.
Yanaguizawa ressaltou que o sistema preventivo brasileiro tem demonstrado eficácia. A detecção do vírus ocorreu antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes nas aves, graças a um monitoramento ativo. Após a confirmação do primeiro caso, os focos subsequentes foram identificados por meio de vigilância intensificada, o que demonstra a capacidade do sistema de rastreamento e controle.
“As exportações podem enfrentar certa pressão inicial, mas é improvável que isso persista por muito tempo, desde que não surjam novos casos em áreas mais distantes do foco inicial”, acrescentou o especialista. A expectativa é que, com a contenção dos focos e a manutenção da regionalização dos embargos, o fluxo de exportações se normalize rapidamente.



