Setor de Etanol de Milho Busca Expansão em Novos Mercados e Consumo Doméstico

Destaques
- •O setor de etanol de milho no Brasil busca novas avenidas de crescimento além do consumo em postos, mirando o transporte marítimo e a expansão da demanda doméstica.
- •A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) planeja uma campanha nacional para incentivar o uso do biocombustível e espera que a reforma tributária promova maior estabilidade e uniformidade na tributação.
- •A expectativa é que o etanol de milho dobre sua participação na matriz brasileira de combustíveis nos próximos dez anos, atingindo cerca de 45% da produção nacional.
O setor de etanol de milho no Brasil, após multiplicar sua produção na última década, está traçando novas estratégias para expandir seus negócios. A expansão não se limitará ao consumo nos postos de combustível, mas buscará ativamente novos mercados, com destaque para o transporte marítimo, que enfrenta crescente pressão global para reduzir emissões de carbono. Empresas como Copersucar e Inpasa já trabalham em certificações internacionais e na construção de demanda junto ao setor naval.
Outra frente de interesse é o combustível sustentável de aviação (SAF), embora a visão da Unem seja mais cautelosa devido ao alto custo da rota Alcohol-to-Jet (ATJ). No campo da inovação, a FS e a Inpasa lideram em plantas standalone de etanol de milho com novas tecnologias, enquanto São Martinho e Cerradinho se destacam em usinas flex, integrando cana e milho para produção contínua.
Desafios e Oportunidades no Mercado Doméstico
Para sustentar o crescimento e os investimentos, a indústria precisa convencer mais brasileiros a trocar a gasolina pelo etanol. O presidente da Unem, Amaury Pekelman, aponta uma barreira cultural e um hábito de consumo que precisa ser mudado, apesar dos recordes recentes de vendas do etanol hidratado. Para combater isso, a Unem prepara uma campanha nacional de comunicação de longo prazo com grande alcance.
A implementação da reforma tributária também é um tema crucial. A expectativa é que a transição para um sistema mais uniforme, a partir de 2029, reduza as distorções causadas pelas diferenças de ICMS entre os estados, trazendo mais estabilidade para o mercado consumidor. Isso pode facilitar a expansão do consumo em regiões como o Nordeste, Rio de Janeiro e Sul do país, que atualmente apresentam menor participação do biocombustível.
Expansão da Participação na Matriz de Combustíveis
A Unem projeta que o etanol de milho possa saltar dos atuais 25% a 30% da produção nacional para aproximadamente 45% em uma década. Essa meta ambiciosa se apoia em três pilares: aumento das misturas de etanol na gasolina, expansão da demanda doméstica e a abertura de novos mercados, especialmente o marítimo.
A entidade vê a reforma tributária como um passo positivo para o setor, embora seja necessário acompanhar a reação dos estados à nova distribuição de arrecadação. A aposta em um cenário de tributação mais uniforme visa impulsionar o consumo em estados onde o biocombustível ainda tem pouca penetração, contribuindo para a consolidação do etanol de milho na matriz energética brasileira.



